MENSAGEM DO AUTOR PARA VOCÊ


Randerson Figueiredo, autor do blog Pistas da História



Um recado para você. Vídeo sobre o projeto de desenvolvimento do livro Desconfiei de quem não deveria. elaborado para divulgar a obra e expandir ainda mais conhecimento sobre o tema Transtorno Bipolar. Em breve um novo projeto. Aguarde.

NOVO CHAT NO BLOG PISTAS DA HISTÓRIA



Agora o blog Pistas da História conta com um chat justamente para aproximar cada vez mais os leitores. Você poderá conversar diretamente comigo, Randerson Figueiredo, criador e administrador do PH, e com qualquer leitor que visita o blog. Coloquei esta ferramenta para facilitar ainda mais o acesso às informações pertinentes a esta plataforma. Espero que aprecie. Ela se chama Spot.Im e está localizada na parte inferior a esquerda da sua tela. Use a valer.

Abraço,


Randerson Figueiredo.

LIVRO ~ O CASO ARESI



Hoje a postagem é mais que especial. Lanço aqui a divulgação de mais um livro. Será lançado em fascículos pelo site wattpad intitulado O Caso Aresi, um romance policial eletrizante, cheio de mistério, suspense e aventura. Quando todos os capítulos estiverem prontos, irei lançar no site Clube de Autores. Mas por enquanto você pode acompanhar por este site. Fique atento caro leitor, irei postar sempre novidades referentes a este livro aqui no blog Pistas da História.

Um grande abraço.

Randerson Figueiredo. 



Em breve... SOCIEDADE SECRETA ORDEM ROSACRUZ




Atendendo o pedido de um leitor do blog...


Em breve: tudo sobre a sociedade secreta ordem rosacruz...

No blog Pistas da História.

REGGAE – UM CAMINHO PARA A LIBERDADE




“Enquanto a cor da pele for mais importante que o brilho dos olhos, haverá guerra”.
Bob Marley.

Essa frase de Bob Marley exemplifica o que vivenciamos ainda hoje, um clima hostil derivado de muita amargura nos corações. Já fazia certo tempo que não escrevia aqui no blog, não vou soltar aqui minhas desculpas, pois não é necessário, haja vista que sabemos o quanto a vida é corrida. É com muita alegria que escrevo hoje sobre o reggae, mais que um gênero musical, uma filosofia de vida.

A MAGIA DO REGGAE NO BRASIL


Começo a falar sobre o reggae aqui em terras tupiniquins, esse verde amarelo que predomina em nossa bandeira caiu nas armadilhas do reggae que lentamente foi adentrando os quatro cantos do país. Engatinhando no finalzinho dos anos 70, a andar nos anos 80 e finalmente correu leve e solto na década de 90.

A propagação do reggae vai além das fronteiras jamaicanas, como seria possível um ritmo que tinha tudo para fazer parte apenas do seu folclore?

Porém quis o destino que assim não fosse. Ao colocar na ilha um garoto chamado Robert Nesta Marley, e o resto todos vocês já sabem...

Algumas nações incorporaram o reggae em suas músicas, outros países apenas o adotaram como uma espécie de irmão mais novo que anda lado a lado com suas músicas e costumes.

A identificação dos brasileiros com o reggae tem uma razão de ser, acredito que pelas nossas raízes que vêm de uma época de escravidão que nada deixou a dever aos países africanos, ou também pelo canto dos escravos que muito se assemelha ao reggae. E também pela mistura de raças, por ter o Brasil regiões que se assemelham muito com a Jamaica como a Bahia e o Maranhão.

É importante que se diga: o reggae no Brasil sofreu uma grande indiferença do poder e da mídia que viam nas suas músicas manifestações próprias das favelas.

Foi aí que no final da década de 70 que Caetano Veloso e Gilberto Gil levantaram a primeira bandeira com o símbolo do reggae. Foi no início dos anos 80 que começaram a surgir que tocavam o reggae, digo até corajosas.

Uma das pioneiras veio de Pernambuco: o grupo Karetas, que em 1983 lançou o LP “Fogo na Terra”.

Os Paralamas do Sucesso lançaram em 1985 o disco “Cinema Mudo”, tendo o reggae como base principal. A partir daí vieram grandes sucessos, como o clássico “Selvagem”.

Outro grande nome que engrandece o reggae brasileiro é Edson Gomes, da Bahia. Maranhão nos brindou com acompetente Tribo de Jah, que assim como o Cidade Negra já tocaram no maior festival de reggae do planeta, o “Sunsplash”, na Jamaica.

REGGAE – O IMPULSO REVOLUCIONÁRIO


É importante destacar dois aspectos. O primeiro como a música folclórica assume ares de arte nacional e o outro aspecto relaciona-se com o fato da música atravessar a fronteira de um país para tornar-se parte da cultura internacional.

A cultura folclórica reflete a individualidade da vida em comum, que se expressa de forma distinta, por ser ela mesmo única.

No interior do Terceiro Mundo existe um fenômeno social único e foi criado por uma das mais terríveis diásporas da história: o comércio de escravos, que conheceu seu período áureo desde o século 17 até o século 18 e desalojou milhões de africanos negros, distribuindo-os pelo Caribe, Estados Unidos e por regiões da América Latina.

Lá, nossos ancestrais foram submetidos ao mais brutal processo de desculturalização mais sistemático da história moderna. Os escravos foram destituídos de suas terras e de suas tribos. Acredito que a única coisa que o opressor não pôde retirar foi a sua humanidade.

É importante que se diga que qualquer discussão sobre calipso, blues ou reggae começa nesse ponto.

As crianças dessa diáspora lutam por um lugar na sociedade até hoje. Pior ainda, lutam por sua identidade, extraviada quando os navios negreiros faziam a travessia do Atlântico para o Novo Mundo.

O calipso - é cínico, satírico, amoral e muitas vezes selvagem. O espírito individualista sobreviveu a sua degradação e à falta de esperança rindo de tudo, inclusive de si mesmo. Agora essas risadas foram usadas mais como uma lâmina, afiada ao longo dos séculos de sobrevivência.

O blues - encerra um pouco desse espírito, porém reflete mais a consciência da opressão. Talvez os negros americanos sempre soubessem que tinham menos esperança. Além de vítimas de opressão seu número era reduzido.

O reggae - de todas as manifestações, o reggae é a mais explicitamente revolucionária. É satírico e por vezes cruel, porém as letras não hesitam em tratar de temas como amor, lealdade, esperança, ideias, justiça, novas coisas e novas formas. É essa afirmação que coloca o reggae numa categoria à parte.

O SURGIMENTO DO REGGAE


O reggae surgiu evoluindo de uma forma folclórica chamada mento. Inicialmente deu origem ao ska, uma mistura de rhythm&blues americano, gospel e mento folclórico. Esse último desenvolveu-se baseado no ritmo das músicas de trabalho que ajudavam os escravos a sobreviver através das longas horas de trabalho estafante com a picareta.

Portanto é improvável que a batida jamaicana sofresse mais do que uma pequena influência do R&B, e com certeza jamais sucumbiria a esse ritmo. O ska firmou-se e trouxe um grande músico chamado Don Drummond, mas ainda era necessária uma evolução desses ritmos; tudo seria reunido pelo reggae.

Um dos problemas resultantes desse processo foi à perda de identidade, uma das características se preservou que foi a percussão. Essa perda de identidade foi tão grande que toda a sofisticação e sutileza dos ritmos africanos acabaram por se perder.

Apenas na Jamaica esse ritmo ficou estabelecido. Um verdadeiro milagre.
Uma das questões mais levantadas a respeito do reggae é: como ele se tornou explícita e positivamente político?

Um exemplo disso é que a maior parte da obra de Bob Marley é a própria linguagem da revolução. Bob Marley viajou até o passado para resgatar a cultura de seu povo através da cultura rastafári.

O rastafári é uma fé verdadeira no sentido de que seus fiéis deram um passo além da racionalidade para a aceitação dessa fé. Para eles, Haille Selassie é o símbolo de Deus na Terra, e o próprio Deus é revelado como o das Escrituras Sagradas. Portanto, o verdadeiro rastafári traçou sua identidade além da história e da geografia, prosseguindo até a origem das coisas, o próprio Criador.

O reggae competiu por espaço na mídia. A música pop desde Bee Gees a Jackson Five, ocupava a maior parte; a sátira do calipso não impressionava o sistema internacional. O blues tinha seu público, transmitindo a tristeza como parte identificável da condição humana.

Obviamente o reggae fabricou um nicho para si mesmo. O próprio Marley era um autêntico e único inovador, portanto o reggae tornou-se internacional a partir desses atributos. Acredito leitor que o reggae é o som espontâneo de um impulso revolucionário local. Porém a própria revolução é uma categoria universal. Esta é a qualidade que difere o reggae, mesmo aos ouvidos internacionais.


O NASCIMENTO DO TERMO: REGGAE


Segundo reza a lenda, o reggae nasceu num dia de 1968, quando Toots and the Maytals gravaram um pequeno número chamado “Do the Reggay”. Mas ele não inventou o termo; “reggae” era apenas uma expressão circulando nas ruas, equivalente a “gasto, coisa de todo dia” (raggedy), que assumia conotações diferentes de acordo com o contexto que era empregado.

Porém a popularidade de “Do the Reggay” fora capturada em vinil e popularizada. Também associava a palavra “reggae” com o novo tipo de ritmo em “Do the Reggay”.

O pulso da África chegou à cidade vindo de seu berço no interior, e foi a influência rasta com suas imagens bíblicas, juntamente com a extrema pobreza urbana, que tornaram o reggae a forma expressiva para a juventude do gueto.

REGGAE NA CULTURA AFRICANA


A África possui os próprios estilos de reggae, e centenas de bandas. Clubes de reggae são encontrados na Europa, Austrália e Estados Unidos. O reggae partilha as ondas latino-americanas com o merengue, a salsa e o rock. Todos, de Eric Clapton a Caetano Veloso, já realizaram suas incursões ao reggae.

A fonte desse som é a Jamaica, a terceira maior ilha do Caribe. Habitada originalmente por índios aravaques foi repovoada com escravos africanos. Quando os ingleses invadiram o local, em 1654, os negros fugiram para as colinas onde formaram comunidades independentes que se mantiveram até a abolição da escravatura.

Os ingleses governaram a Jamaica até 1962. O saldo naquele ano foi extremamente negativo, pois nascia ali uma Jamaica fracassada econômica e politicamente. Controlada por brancos e mulatos, sendo que 75% da sua população eram formadas por negros.

A violência atingiu seu pico durante as eleições de 1980 quando membros de algumas dissidências de partidos políticos lutaram uns contra os outros e a polícia utilizando rifles M-16 abertamente nas ruas, deixando um saldo de pelo menos 700 pessoas mortas, muitas das quais inocentes.

Só que essa violência política é apenas um dos extremos da cultura jamaicana que deu origem ao reggae. A outra é o amor incondicional das pessoas pela música... qualquer tipo de música, sem preconceito, contanto que existisse sentimento. Com toda essa variedade, era inevitável uma mistura de estilos.

As primeiras combinações misturavam em partes iguais música inglesa e africana. Os cultos afro-cristãos não apenas combinavam a Trindade com deuses africanos, mas também harmonias religiosas com os ritmos dos tambores.

A forma dominante para dançar, desde o final do século XIX até a década de 50, era chamada mento. Sua forma primitiva e rural correspondia a uma espécie de polca pesada, com um tom de baixo em tonalidade não específica, vindo de um músico soprando através de um tronco oco.

Mais tarde a marimbula, uma versão africana gigante do piano, é que fazia o baixo, acompanhado pelo som de uma colher esfregada contra uma grade de coco, ou uma série de latas e garrafas, enquanto a melodia vinha de uma gaita.

Quando o mento chegou a cidade, a sonoridade variou bastante, com acordeões, rabecas e flautas tocando quadrilhas em função do baixo.

Por algum tempo após a Segunda Guerra Mundial, o mento virou uma música de hotel para turistas. Com as primeiras gravações o mento ficou parecido com o calipso, usando letras picantes e maliciosas, interpretadas por artistas como Count Lasher e Lord Flea.

Foi o rádio o responsável pela maior transformação da música jamaicana. Algumas acentuações diferentes logo produziram uma outra sonoridade chamado de ska.

A música tinha a sua forma própria de dançar, com movimentos que imitavam os remadores, produziam um efeito erótico. Com o passar dos anos o ska popularizou-se e acabou por tornar-se atração turística: o governo jamaicano chegou a enviar um grupo de músicos para a Feira Mundial de Nova York, em 1964, incluindo Jimmy Cliff e a dançarina de ska Miss Jamaica.

Os músicos começaram a diminuir o ritmo, de forma que o acompanhamento se tornou mais firme (steady). Nos Estados Unidos o som da Motown começava a ficar popular e os ritmos do Brasil (samba e bossa-nova) começavam a obter espaço radiofônico. Uma música de Anton Ellis, um um consistente fabricante de sucessos na época, serviu para batizar esse período: “Rock Steady”.

As primeiras músicas de um jovem cantor ambicioso, Bob Marley, se constituem num bom exemplo de variedade encontrado no período do rock steady. Pelo menos uma música desse período mostra de forma clara e evidente a influência que iria dar ao reggae seu poder político, “Jah is Mighty”: o rastafarismo.
O rastafarismo é nacionalismo negro misturado às crenças cristãs e das seitas afro-cristãs. Espalhou-se na Jamaica, embora não seja dominante na ilha. Não é necessário ser rastafári para tocar reggae; Jimmy Cliff e Lee Perry não são. Porém o rastafarismo ajudou a dar forma à música.

A PROFECIA RASTAFARI


O rastafarismo começou com uma profecia realizada. Por volta de 1912 um pregador declarou: “Deuses de todas as eras! Este é o Deus em quem acreditamos, vamos adorá-lo através dos acontecimentos na Etiópia”, e “Voltem os olhos para a África, para a coroação de um rei negro. Ele será o redentor.”

Em 1930, os jamaicanos viram a profecia cumprir-se, escutando pelo rádio a coroação do Imperador Haile Selassie I da Etiópia, o Leão Conquistador de Judá.

Conforme a profecia o salvador chegara em sua grande glória. Na Etiópia, seu título era Negus Ras Tafari. Portanto jamaicanos que acreditavam que ele tinha vindo para salvar o mundo declararam-se rastafáris.

No início os rasta viviam em campos isolados nas colinas, plantando maconha (que chamam de “ganja”) e fumando-a para induzir premonições místicas.

Agora havia uma característica bastante notável que separava os rasta do restante do mundo: o cabelo. Permanecia em estado natural, sujo e torcido como raízes segue um versículo da Bíblia, em Números 6:5: “Nenhuma lâmina deverá tocar tua cabeça”, dirigido a Sansão, que ganharia em força espiritual.

Os rastafári chamam seus cabelos de “dredlocks”(cachos do medo) pelo temor que inspiram aos não-iniciados. Durante muitas décadas os rasta foram desprezados pelos outros jamaicanos.

A mensagem rasta eram utilizadas na forma de golpel. Quando Marley surgiu, a pregação já era bastante explícita. Jah é uma das leituras fonéticas do nome de Deus, como Jahveh ou Jehovah. O som do rock steady lentamente evoluiu para o reggae.

O ingrediente final da forma do reggae que conmhecemos hoje foi o estúdio multicanal. Todos estes ingredientes estavam dispostos em 1969 quando Toots e Marytals gravaram uma música chamada “Do the Reggay”. Esse nome evoluiu para reggae, servindo para denominar a mais influente batida jamaicana.

O REGGAE DEPOIS DE MARLEY


Bob Marley morreu em 1981, com trinta e seis anos, a véspera de uma divulgação maciça para os negros norte-americanos. Porém a doença de Marley forçou o cancelamento da excursão com os Commodores. Nove meses depois ele falecia, mas seu legado musical ainda brilha para todos.

Bob Marley era considerado o Michael Jackson da Jamaica. É difícil que outro artista negro de reggae possa conquistar a lista das cem mais vendidas como Bob ameaçou fazer.

Enquanto a cultura da Jamaica retiver seus elementos entre antigo e moderno, o tribal e o tecnológico o reggae deverá continuar refinando a si mesmo apenas para terminar outra vez imerso em suas raízes. Seus ritmos telúricos, algumas vezes alegre, outras vezes triste, evocam sentimentos que irão encantar mais de 9 milhões de ouvintes espalhados pelo mundo.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Deu para perceber que abordei principalmente as características políticas, sociais e culturais da origem do reggae. De forma despretensiosa falei sobre o surgimento do ritmo sem fazer uma breve biografia de seu maior expoente, Bob Marley. Indico agora neste espaço um excelente livro que me serviu como fonte de pesquisa sobre a figura de Marley. Espero que você caro leitor tenha gostado da pesquisa e saiba que estou sempre às ordens.

Um fraterno abraço,

Randerson Figueiredo.


INDICAÇÃO DE FILME

Jamaica abaixo de zero


A história parece piada, mas aconteceu de verdade. São quatro despreparados atletas jamaicanos com um sonho impossível: participar das Olimpíadas de Inverno com trenó na neve. Com a ajuda de um ex-campeão fora de forma, eles embarcam nesta aventura. Os quatro jamaicanos deixam os trópicos e vão aos jogos de 1988, competir pela medalha de ouro, num esporte que nunca praticaram. Contando com a vontade e a coragem de cada um, eles tornam-se heróis, chamando a atenção do mundo inteiro para a corrida de trenós. Uma comédia real para derreter de tanto rir.




REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

A magia do reggae.
Marco Antonio Cardoso, pesquisa e organização
Editora: Martin Claret
Páginas: 248 (ilustrado)



Bob Marley por ele mesmo.
Marco Antonio Cardoso, pesquisa e organização
Editora: Martin Claret
Páginas: 160 (ilustrado)



LIVRO ~ JUNG NA VEIA



Boa tarde a todos!!!

É com muita alegria que (com)partilho com vocês a minha extrema satisfação de ter mais um livro publicado. Dessa vez foi uma compilação dos meus melhores textos do Blog Jung na Veia, os 30 mais acessados e mais 10 inéditos.

Ou seja o critério de escolha foi justamente dado por você leitor do blog, haja vista que foi a quantidade de visualizações de páginas que determinou a escolha dos textos.

Jung na Veia é o nome da obra e já está à venda no site Clube de Autores, esse é o link >>>


Desejo a você que pretende adquirir o livro desde já uma excelente leitura.

Até qualquer hora com mais textos no blog Jung na Veia,

CHÃO DE ESTRELAS - CONTOS E CASOS



Sei que este espaço é destinado à história, mas também abrirei espaço a algumas exceções como foi o caso de divulgar o blog Jung na Veia e o livro Desconfiei de quem não deveria.

Hoje venho divulgar outro livro do qual participo, chama-se: Chão de estrelas – contos e casos.

Coletânea com 32 contos em temática livre de autores nacionais e internacionais. E eu estou nesse projeto com o conto O Vizinho.

Está disponível gratuitamente no Wattpad através do seguinte endereço: http://www.wattpad.com/story/13546355-ch%C3%A3o-de-estrelas-contos-%26-casos

Leia, dê sua opinião e confira nosso trabalho.


Abraço a todos,



Randerson Figueiredo.


BLOG JUNG NA VEIA | BLOG DE FILOSOFIA E HISTÓRIA



Blog Jung na Veia

Acesse também o blog Jung na Veia, um blog de filosofia mas que contém também muito conteúdo histórico mas com viés filosófico claro :D

Leia e participe com seu comentário >>> Blog Jung na Veia

Sua participação é muito importante.

Cordial abraço,


Randerson Figueiredo.

Em breve... A HISTÓRIA DO REGGAE




Próxima postagem no site Pistas da História será sobre a história do REGGAE, sua filosofia, história e claro as músicas de caráter popular marcadas com críticas sociais.

Quem conhece o REGGAE sabe que sua filosofia é de caráter histórico. Um assunto que vale a pena ser tratado no site.

Esse assunto dará uma história e tanto, pode acreditar.

Portanto... Em breve A história do Reggae.

JUDEUS – UMA NOVA ABORDAGEM





Mais uma vez estabeleço contato com você leitor. Esse contato de hoje remete a conceitos históricos dificílimos de serem debatidos em tão curto espaço, por isso que de antemão peço desculpas a você se por acaso esquecer de mencionar algum detalhe que possa vir a passar despercebido na história do judaísmo. Até mesmo porque essa história em particular tem detalhes por vezes tão ocultos que nem mesmo grandes historiadores são capazes de desvendar, mas vou fazer o possível e tentar o impossível para que você tenha em mãos uma história bem sedimentada a respeito dos judeus.

No artigo de hoje você irá encontrar os seguintes pontos:

1 - De onde vieram?
2 - A Terra Santa

3 - A Torá
4 - Jesus Cristo e os Judeus
5 - A inquisição
6 - Os Protocolos dos Sábios de Sião
7 - Judeus e o dinheiro
8 - Holocausto
9 - Símbolos judaicos
10 - A questão da Palestina


DE ONDE VIERAM?

Do ponto de vista histórico, não se sabe onde nem quando nasceu o povo de Israel. As tradições narrativas do Gênesis trazem uma série de narrativas a respeito dos grandes patriarcas: Abraão, Isaac e Jacó. Eles teriam se estabelecido por volta do século XIX a.C. Mas quase nada se sabe sobre esse processo de ocupação da terra.

Algumas condições da época foram favoráveis a ocupação como por exemplo a necessidade de obter pastagens para seus rebanhos e também para obterem terras para sepultar seus mortos (Gn 23).
Antes que eu esqueça será impossível falar do povo judeu sem fazer citações bíblicas, por isso peço que por gentileza quando começar a ler este artigo tenha uma bíblia em mãos, caso queira claro, até mesmo para que sua leitura seja mais enriquecedora.

Nesse contexto entra a questão do Oriente Médio como premissa incontestável do surgimento da religião monoteísta bíblica condicionada à presença do povo de Israel junto a outros povos do mundo antigo.
À luz da arqueologia a história do povo de Israel surge nesta perspectiva.
As narrativas bíblicas segundo as minhas pesquisas tentavam mostrar uma história cósmico-universal construído ao redor de um povo, justamente o povo de Israel.

Só que na Bíblia o grande pivô teológico dessa “história” pode ser encontrado nas ideias de Aliança e Eleição, mostrando desta forma um Israel que buscava cumprir as exigências divinas.
As pesquisas com base na formação do povo de Israel são baseados no seguinte: pelas tradições bíblicas, editadas na Torá, como o Código da Aliança (Ex 20,22-23,33) ou o Código da Santidade (Lv 17-26), representam a razão da vida e da existência de Israel.


A partir daí temos lugares/passagens que são sagrados como o Êxodo e o Sinai, este último um lugar firmado pelo encontro entre Israel e Deus.
Portanto na visão do escritor bíblico é irrelevante a posição geográfica do Sinai, já que é uma questão mais puramente de fé do que de uma questão física.
Reitero o que disse no início, por mais que este site trate de assuntos pontuais históricos, ele também trará assuntos relacionados a fé, afinal de contas somos movidos por ela também.

Pois o que estou querendo dizer é que fica difícil pro historiador desassociar as questões religiosas do processo histórico.
Como bem disse Seltzer: “não parece coerente buscar as pressões geradas pelo contexto social e cultural em que viveram, excluindo uma preocupação explícita com a vontade de Deus”.

Os relatos bíblicos são apresentações das memórias do passado de Israel, esboçadas em períodos diferentes, nas quais seus autores misturaram sua compreensão do passado aos novos significados de acontecimentos históricos contemporâneos à época de cada escritor.
Um dado interessante da pesquisa é que a vinculação dos primeiros estratos sociais de Israel e os círculos semíticos dos antepassados israelitas carregam traços indissociáveis com o Egito.

Tanto Jacó e sua família quanto Moisés e Aarão estabeleceram-se no Egito dos faraós.

Inclusive um dos filhos mais brilhantes de Jacó que comeu o pão que o diabo amassou com seus irmãos, teria sido escolhido para ocupar um alto cargo administrativo.

A Bíblia reforça ainda que a descendência de Israel foi o resultado de um clã que se instalou no Egito na condição de pastores livres até, serem depois, escravizados.
Durante e depois do Exílio Babilônico, a importância do Egito foi superada pela Babilônia apenas em termos intelectuais, devido à relevância deste centro na formação e consolidação do judaísmo rabínico.

Narrativas bíblicas sugerem que os israelitas formavam um clã que andava sem rumo, durante quarenta anos pelo deserto, antes de se estabelecerem em Canaã.
Agora leitor, permeia a dúvida no meio acadêmico de como e quando esse grupo de hebreus errantes, constituíram de fato, o Israel histórico.
Em Ex 12,38 temos uma explicação plausível para este questionamento, fala-se nesta passagem sobre o estreitamento de laços sociais em torno de uma identidade comum com vários grupos. Por isso que reitero o que disse: ao ler este artigo leia com a bíblia ao lado para uma melhor compreensão, pelo menos nesta primeira parte.

Israel está no contexto bíblico num ideal longe de ser harmônico como deu para perceber. Por isso que sou a favor de sempre relacionar ciência e religião, acredito que essas duas áreas se misturam e se correlacionam da melhor maneira possível, porque não se pode subestimar a contribuição das ciências modernas, como a arqueologia e a paleografia, por exemplo, em favor de uma investigação mais apurada sobre os acontecimentos associados aos textos bíblicos e seus reflexos na cultura de Israel.

Por isso que disse que seria uma nova abordagem, pois neste primeiro momento relacionarei ciência e religião.
A Estrela de Israel, monumento dedicado a uma das campanhas militares em Canaã, por Merneptah (1213-1203 a.C.), sucessor de Ramsés II, é o primeiro testemunho documental em que aparece o nome de Israel: Os príncipes estão prostrados “Misericórdia”!... Canaã foi saqueada por todos os males; Acabaram Ashkelon; Gezer foi tomada; Yanoã é como se não existisse; Israel é terra deserta, não tem semente...” (MAZAR: 2003, p. 235; cf. SELTZER: 1990, p.11)

Daí que a denominação Israel pode incorrer em uso anacrônico quando usado para se referir, de modo exclusivo, à identidade das Dez Tribos do Norte (Israel), em contraposição as Duas Tribos do Sul (Judá), conforme a divisão ocorrida só após a morte de Salomão, em 930 a.C.

É importante salientar que muitos habitantes das tribos do norte procuraram refúgio em Judá, fazendo que a população israelita embora politicamente separada mantivessem laços de identidade.
Formando assim o então Israel unido.
Sob o reinado de Davi emergiu um Israel nacionalista, fez nascer uma unidade política sólida inédita.

Agora vou citar Mark S. Smith, “com o novo estado real de Davi, esta denominação (Israel) funcionou para unir Judá e Israel sob a rubrica nominal de Israel, mas sob a liderança política de Judá. Com um judaíta encabeçando esta política real, o termo “Israel” serviu para exaltar Judá e para ajudar a estabelecer suas reivindicações políticas perante Israel” (SMITH: 2006, p.85).

Nesse ínterim o reino de Israel começou a desaparecer do cenário político e obviamente Judá foi assumindo essa função refletido no reino de Davi e Salomão.
Em outras palavras, “Judá se tornou repositório da identidade israelita, apesar da perda da terra israelita” (SMITH: 2006, p.94).

Por causa dessa mobilidade de refugiados do norte para o sul, Judá acabou absorvendo grande parte das tradições religiosas vinculadas a todo Israel, até o momento em que não se sabe quando exatamente, Israel passou a ser identificado como Judá.

Agora há uma explicação teológica para explicar o fracasso e queda do reino do Norte (Israel), está nos livros de 1-2Reis, e nesse momento o termo “Israel” já estava tão enraizado na experiência político-religiosa e no destino do Sul (Judá) que foi impossível desvinculá-lo.

PERÍODOS DA HISTÓRIA DE ISRAEL



Deve-se admitir que é praticamente impossível, na concepção moderna do termo descrever ou reconstruir a história das origens patriarcais do povo israelita, apoiando-se numa ordem cronológica ordenada pelos escritores da Bíblia.
Isso porque, de certa maneira além de produtos do tempo de seus autores, os escritos bíblicos também escondem realidades históricas muito mais antigas e complexas (cf. Mark SMITH: 2006, p.37).

Tudo que estou dizendo pode ser reforçado lendo as passagens bíblicas do livro do Gênesis, dos capítulos 12 ao 50.
Portanto sem querer enrolar você caro leitor vamos direto ao ponto: os períodos da história de Israel.

1 – O Primeiro Templo: de Salomão (930) até o Exílio (586 a.C.).

2 – O Segundo Templo: de Zorobabel (520) até a crise helenística (332 a.C.).

3 – O Terceiro Templo: época macabaico-asmoneu (167 – 19 a.C.).

4 – O Quarto Templo: de Herodes (19 a.C.) à destruição definitiva (70 d.C.).

Agora meu caro a respeito de uma certa simplificação da construção, destruição e reconstrução do templo de Jerusalém existem novas subdivisões segundo J.T. Barrera recorre a essa divisão tomando o Templo como núcleo da existência histórica de Israel, porém vê o período do Exílio como tempo importante de reconstrução mesmo com a ausência do Templo, retirei essa característica do livro de Barrera: A Bíblia Judaica e a Bíblia Cristã, 1996, p. 186ss.

QUAL A PROVÁVEL LOCALIZAÇÃO GEOGRÁFICA DO ISRAEL BÍBLICO?



A descrição da geografia-física que melhor a localiza é formada por um pequeno eixo no qual se encontra a bacia do Jordão, iniciada no lago Kineréte, ou seja, mar da Galiléia, e desemboca no mar Morto.
O mar da Galiléia está a mais de 200 metros abaixo do nível do Mediterrâneo, enquanto o mar Morto situa-se a quase 400 metros abaixo do mar, ele que é a maior depressão da superfície do planeta, sua profundidade chega a 400 metros.

A TORÁ



A Torá representa os cinco primeiros livros da Bíblia, o pentateuco da tradição cristã, formam o principal núcleo de textos sagrados da Bíblia hebraica.
A torá pode ser considerada um dos mais importantes elementos responsáveis por fornecer o primeiro núcleo literário da consciência religiosa monoteísta de Israel, pautada na luta permanente contra práticas e cultos pagãos.

Como primeiro grande esboço legal de carta magna, a Torá estabelece as diretrizes da vida social e religiosa do povo, visando conduzir Israel à fidelidade com o único Deus.

Nas Leis de Moisés, Israel é visto em consonância com o chamado de um povo a ser santo, consagrado, ritualmente separado dos povos gentios.
Portanto trocando em miúdos, a Torá rebate a crença contra o paganismo.
A Torá possui um quadro dinâmico muito grande com suas leis e práticas religiosas e muitas vezes Israel se recusava a obedecer a Deus, negligenciando os compromissos deste pacto.

Foi nesse contexto caro leitor que emergiram os profetas, cuja tarefa principal consistia em trazer Israel de volta a Deus, chamando o povo ao arrependimento sincero. Daí nasce a ética monoteísta dos profetas.

Yehezkel Kaufmann um conceituado estudioso israelense da sociologia bíblica levantou a hipótese de que a grande originalidade da religião bíblica de Israel seja encontrada no fato de sua base ser edificada sobre o monoteísmo ético, elemento capaz de diferenciá-lo de outras experiências religiosas, como aquela implantada no Egito nos tempos do faraó Ekhenaton (século XIII a.C.).

Portanto a força da religião monoteísta mosaica ganha cada vez mais força.
Procurai a Deus e vivereis!... (Am 5, 6-7).

Já na tradição judaica tardia os sábios judeus ensinam que o judaísmo tem um compromisso com a igualdade e com a unidade dos seres humanos.
Um texto da Torá de Moisés, à luz do contexto das “Leis da Santidade” (Lv 17-26), revela de forma explícita uma de suas premissas éticas principais: Amarás o teu próximo como a ti mesmo (Lv 19,18b), reconhecido como o mandamento magno da Torá.

Essa máxima não só foi adotada como o resumo mais precioso da Lei Mosaica no Novo Testamento, mas também explorada mais tarde nos ensinamentos do Talmude: Aquele que salva a vida de um ser humano é como se tivesse salvo toda a humanidade.

Portanto, é exigência da ética judaica é o amor ao próximo por sermos todos iguais.

A TERRA PROMETIDA



A origem e a formação do povo de Israel encontram-se condicionadas à promessa bíblica de que Deus multiplicará os descendentes de Abraão para estabelece-los como legítimos herdeiros de uma faixa de terra, localizada na antiga Canaã:
Iahweh disse a Abraão: “Sai da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai, para a terra que te mostrarei. Eu farei de ti um grande povo, e te abençoerei” (Gn 12, 1-2).

Você poderá saber mais detalhes sobre este assunto no artigo que escrevi sobre a questão da Palestina – A palestina de quem é esta terra?

JESUS CRISTO E OS JUDEUS


A ascensão e propagação do cristianismo no mundo greco-romano podem revelar contrastes da Terra de Israel, ambiente de que fez parte o Jesus histórico.
O fato de não dispormos de uma biografia detalhada e historicamente confiável a respeito de Jesus, isso sinceramente não serve como justificativa para enfraquecer sua inserção no mundo judaico de seu tempo.

É bom deixar bem claro que os Evangelhos, o narrarem uma história de Jesus, não pretendem relatar fatos históricos objetivos e sim a sua subjetividade transcendental.

A base inspiradora dessa história estava na interpretação que seus seguidores fizeram dos textos sagrados das Escrituras judaicas.

Pois muito bem... No plano histórico, Jesus foi um judeu que, nascido na Galiléia, cresceu e foi educado de acordo com as tradições das leis de Moisés. Vivendo a maior parte de seu tempo na região montanhosa da inexpressiva Nazaré, Jesus ganhou maior notoriedade nas aldeias e regiões circunvizinhas do Mar da Galiléia.
Sua reputação religiosa no meio popular se deu sob uma ou mais das seguintes condições: exorcista, pregador itinerante, curador, taumaturgo, profeta popular.
Segundo Flávio Josefo um dos maiores pesquisadores do mundo judaico, Ele foi visto como messias por seus seguidores mais próximos. Sua personalidade messiânica está condicionada às atribuições posteriores assumidas pelas comunidades pós-pascais.

Aí vem uma das dificuldades desta pesquisa, pois além de falar do maior espírito que passou por este planeta tenho que falar das reentrâncias de seu processo político e de sua vida como um todo num contexto judaico, por isso digo de antemão, se errar em algo, se pisar na bola em alguma coisa, você que está lendo este artigo pode e deve se manifestar.

Exceto Jesus, não há nenhum outro relato a respeito de personagens messiânicas em seu tempo que foram submetidas ao julgamento de tribunais judaicos para, em seguida, serem condenadas sob acusação de blasfêmia (cf. Mt 26,57-66).
Agora indo direto ao ponto...

Onde estaria então, o foco do suposto conflito instituído entre Jesus e o judaísmo?

Conforme estudos recentes demonstram, as tensões entre Jesus e as autoridades judaicas (dentre as quais merecem destaque os ataques de Mateus 23 contra os fariseus e os escribas) refletem as tensões vividas na época à composição dos evangelhos, ou seja, depois da destruição dos Segundo Templo.

Portanto muito antes da ascensão do cristianismo, as controvérsias giravam em torno da mensagem de Jesus, pois Ele estava vivendo tensões no contexto religioso judaico do final do século I.

Um dos maiores pesquisadores sobre Jesus no contexto judaico David Flusser tem contribuído para a recuperação de Jesus no mundo judaico de seu tempo.
Para Flusser a semente revolucionária nos ensinamentos de Jesus não emerge de sua crítica pessoal às leis judaicas, mas de outras premissas, que de maneira alguma tiveram origem com o próprio Jesus.

A revolução de seus ensinamentos pode ser sintetizada sob três aspectos:

1 – a interpretação radical do amor recíproco;

2 – o chamado para uma nova moralidade;

3 – e a ideia de reino dos céus;

Da morte de Jesus até a destruição de Jerusalém, os seguidores do movimento de Jesus não passavam de seita judaica. Seu pensamento acolheu até mesmo os não gentios, ou melhor, Ele mesmo acolhia que necessitasse da palavra de Deus e de um apoio manso e humilde de coração.

SOB A ENVERGADURA DA INQUISIÇÃO

A INQUISIÇÃO ESPANHOLA



A Inquisição Espanhola não foi uma instituição meramente eclesiástica, como se pensa. Embora tenha tido origem em uma Bula do Papa Sixto IV datada de 1478, foi mais e mais utilizada pelos reis da Espanha para servir aos fins políticos de unificação dos seus territórios, nos quais habitavam cristãos, judeus e muçulmanos. Mais de uma vez estiveram em conflito a Santa Sé e os monarcas espanhóis por causa do abuso de poderes na eliminação de adversários políticos perpetrado em nome da S. Igreja. A justiça manda que se reconheça esta índole muito peculiar da Inquisição Espanhola (que, aliás, também na Idade Média não era instituição meramente eclesiástica). Isto não nos isenta de reconhecer outrossim falhas cometidas por eclesiásticos a serviço da Inquisição orientada pelos monarcas espanhóis.

1.      1.    Inquisição: generalidades

A palavra "Inquisição" significa "procura". Designa o tribunal que procurava hereges e outras pessoas suspeitas a fim de julgá-los e sentenciá-los.

No antigo Direito Romano, o juiz não empreendia a procura dos delituosos; só procedia ao julgamento depois que lhe fosse apresentada a denúncia. Até a Alta Idade Média o mesmo se deu na Igreja: a autoridade eclesiástica não procedia contra os delitos se estes não lhe fossem previamente indicados. No decorrer dos tempos, porém, esta praxe cedeu à da procura dos hereges ou à Inquisição. A razão disto foi o surto, no século XI, de nova forma de delito religioso, isto é, uma heresia fanática e revolucionária como não houvera até então: o catarismo (do grego katharós, puro) ou o movimento dos alibigenses (de Aibi, cidade da França meridional, onde os hereges tinham seu foco principal). Considerando a matéria por si má, os cátaros rejeitavam não somente a face visível da Igreja, mas também instituições básicas da vida civil - o matrimônio, a autoridade governamental, o serviço militar - e enalteciam o suicídio. Destarte constituíam grave ameaça não somente para a fé cristã, mas também para a vida pública.

Em bandos fanáticos, às vezes apoiados por nobres senhores, os cátaros provocaram tumultos, ataques às igrejas, etc., por todo o decorrer do século X1 até 1150 aproximadamente, na França, na Alemanha, nos Países-Baixos... 0 povo, com a sua espontaneidade, e a autoridade civil se encarregaram de os reprimir com violência: não raro o poder régio da França, por iniciativa própria e a contragosto dos bispos, condenou à morte pregadores albigenses, visto que solapavam os fundamentos da ordem constituída. Foi o que se deu, por exemplo, em Orleães (1017), onde o rei Roberto, informado de um surto de heresia na cidade, compareceu pessoalmente, procedeu ao exame dos hereges e os mandou lançar ao fogo; a causa da civilização e da ordem pública se identificava com a da fé! Entrementes a autoridade eclesiástica limitava-se a impor penas espirituais (excomunhão, interdito, etc.) aos albigenses, pois até então nenhuma das muitas heresias conhecidas havia sido combatida por violência física; S. Agostinho (t430) e antigos bispos, S. Bernardo ( t1 153), S. Noberto ( t 1134) e outros mestres medievais eram contrários ao uso da força ("Sejam os hereges conquistados não pelas armas, mas pelos argumentos", admoestava São Bernardo, In Cant. serm. 64).

Não são casos isolados os seguintes: em 1144 na cidade de Lião o povo quis punir violentamente um grupo de Inovadores que ai se introduzira; o clero, porém, os salvou, desejando a sua conversão, e não a sua morte. Em 1077 um herege professou seus erros diante do bispo de Cambraia; a multidão de populares lançou-se então sobre ele, sem esperar o julgamento; encerraram-no numa cabana, à qual atearam fogo!

Contudo em meados do século XII a aparente indiferença do clero se mostrou insustentável: os magistrados e o povo exigiam colaboração mais direta na repressão do catarismo. Muito significativo, por exemplo, é o episódio seguinte: o Papa Alexandre III em 1162, escreveu ao arcebispo de Reims e ao Conde da Flândria, em cujo território os cátaros provocavam desordens:

Maisvale absolver culpados do que, por excessiva severidade, atacar a vida de inocentes... A mansidão mais convém aos homens da Igreja do que a dureza".

Informado desta admoestação pontfícia o rei Luís VII de França irmão do referido arcebispo, enviou ao Papa um documento em que o descontentamento e o respeito se traduziam simultaneamente:

Que vossa prudência dê atenção toda particular a essa parte (a heresia) e a suprima antes que possa crescer. Suplico-vos para bem da fé cristã: concedei todos os poderes neste campo ao arcebispo (de Reirris); ele destruirá os que assim se insurgem contra Deus; sua justa severidade será louvada por todos aqueles que nesta terra são animados de verdadeira piedade. Se procederdes de outro modo, as queixas não se acalmarão facilmente e desencadeareis contra a Igreja Romana as violentas recriminações da opinião pública" (Martène, Amplissirria Collectio 11 683s).

As conseqüências deste intercâmbio epistolar não se fizeram esperar muito: o concilio regional de Tours em 1163, tomando medidas repressivas à heresia, mandava inquirir (procurar) os seus agrupamentos secretos. Por fim, a assembléia de Verona (Itália), à qual compareceram o Papa Lúcio 111, o Imperador Frederico Barbarroxa, numerosos bispos, prelados e príncipes, baixou em 1184 um decreto de grande importância: o poder eclesiástico e o civil, que até então haviam agido independentemente um do outro (aquele impondo penas espirituais, este recorrendo à força física), deveriam combinar seus esforços em vista de mais eficientes resultados: os hereges seriam doravante não somente punidos, mas também procurados (inquiridos); cada bispo inspecionaria, por si ou por pessoas de confiança, uma ou duas vezes por ano, as paróquias suspeitas; os condes, barões e as demais autoridades civis os deveriam ajudar sob pena de perder seus cargos ou ver o interdito lançado sobre as suas terras; os hereges depreendidos ou abjurariam seus erros ou seriam entregues no braço secular, que lhes imporia a sanção devida.

Assim era instituída a chamada "Inquisição episcopal", a qual, como mostram os precedentes, atendia a necessidades reais e a clamores exigentes tanto dos monarcas e magistrados civis como do povo cristão; independentemente da autoridade da Igreja, já estava sendo praticada a repressão física das heresias.

No decorrer do tempo, porém, percebeu-se que a Inquisição episcopal ainda era insuficiente para deter os inovadores; alguns Bispos, principalmente no sul da França, eram tolerantes; além disto, tinham seu raio de ação limitado às respectivas dioceses, o que lhes vedava uma campanha eficiente. À vista disto, os Papas, já em fins do século XII, começaram a nomear legados especiais, munidos de plenos poderes para proceder contra a heresia onde quer que fosse. Destarte surgiu a " Inquisição pontifícia" ou "legatina", que a princípio ainda funcionava ao lado da episcopal, aos poucos, porém, a tornou desnecessária. A Inquisição papal recebeu seu caráter definitivo e sua organização básica em 1233, quando o Papa Gregório IX confiou aos dominicanos a missão de Inquisidores; haveria doravante, para cada nação ou distrito inquisitorial, um Inquisidor-Mor, que trabalharia com a assistência de numerosos oficiais subalternos (consultores, jurados, notários ... ), em geral independentemente do Bispo em cuja diocese estivesse instalado. As normas do procedimento inquisitorial foram sendo sucessivamente ditadas por bulas pontifícias e decisões de concílios.

Entrementes a autoridade civil continuava a agir, com zelo surpreendente (!), contra os sectários. Chama a atenção, por exemplo, a conduta do Imperador Frederico li, um dos mais perigosos adversários que o Papado teve no século XIII. Em 1220 este monarca exigiu de todos os oficiais do seu governo, prometessem expulsar de suas terras os hereges reconhecidos pela Igreja; declarou a heresia crime de lesa-majestade, sujeito à pena de morte e mandou dar busca aos hereges. Em 1224 publicou decreto mais severo do que qualquer das leis editadas pelos reis ou Papas anteriores: as autoridades civis da Lombardia deveriam não somente enviar ao fogo quem tivesse sido comprovado herege pelo Bispo, mas ainda cortar a língua aos sectários a quem, por razões particulares, se houvesse conservado a vida. E possível que Frederico II visasse a interesses próprios na campanha contra a heresia; os bens confiscados redundariam em proveito da coroa.

Não menos típica é a atitude de Henrique li, rei da Inglaterra: tendo entrado em luta contra o arcebispo Tomaz Becket, primaz de Cantuária, e o Papa Alexandre III, foi excomungado. Não obstante, mostrou-se um dos mais ardorosos repressores da heresia no seu reino: em 1185, por exemplo, alguns hereges da Flândria tendo-se refugiado na Inglaterra, o monarca mandou prendê-los, marcá-los com ferro vermelho na testa e expô-los, assim desfigurados, ao povo; além disto, proibiu aos seus súditos lhes dessem asilo ou lhes prestassem o mínimo serviço.

Estes dois episódios, que não são únicos no seu gênero, bem mostram que o proceder violento contra os hereges, longe de ter sido sempre inspirado pela suprema autoridade da Igreja, foi não raro desencadeado independentemente desta, por poderes que estavam em conflito com a própria Igreja. A Inquisição, em toda a sua história, se ressentiu dessa usurpação de direitos ou da demasiada ingerência das autoridades civis em questões que dependem primariamente do foro eclesiástico.

Em conclusão, o histórico das origens da Inquisição leva-nos a ver que esta não foi concebida como órgão de intransigência odiosa, mas, sim, qual medida defensiva do bem comum, religioso e civil. Consciente disto, o historiador distingue entre a intenção dos homens da Igreja que instituíram a Inquisição, e a conduta daqueles que a executaram, deixando-se não raro levar pelas paixões.

A Inquisição não foi criada de uma só vez nem procedeu sempre do mesmo modo no decorrer dos séculos. Por isto distinguem-se

1) a Inquisição Medieval, voltada contra as heresias cátara a e valdense nos séculos XII/XIII e contra um falso misticismo do século XIV;

2) a Inquisição Espanhola, instituída em 1478 por iniciativa dos reis Fernando e Isabel; visando principalmente aos judeus e aos muçulmanos, tornou-se poderoso instrumento do absolutismo dos monarcas espanhóis até o século XIX, a ponto de quase não poder ser considerada instituição eclesiástica (não raro a Inquisição espanhola procedeu independentemente de Roma, resistindo à intervenção da Santa Sé, porque o rei da Espanha a esta se opunha);

3) a Inquisição Romana (também dita "O Santo Ofício"), instituída em 1542 pelo Papa Paulo III, em vista do surto do Protestantismo.

Levando em conta a notícia de jornal transcrita à p. 82, deter-nos-emos especialmente sobre a Inquisição Espanhola.

2. Inquisição Espanhola

2. 1. Uma população e três confissões religiosas

1. Em meados do século XV a Espanha apresentava uma situação política assaz complexa.

A maior parte do território fora libertada da ocupação árabe (muçulmana) que desde o século VIII aí se exercia. Os califas árabes dominavam apenas na região de Granada, ao sul do país. Contudo os soberanos dos pequenos reinos da península não se entendiam entre si, de modo que a obra da Reconquista se achava estagnada desde a tomada de Sevilha em 1248 por obra de Fernando 111 o Santo.

Em 1479, os monarcas Fernando de Aragão e Isabel de Castela, tendo-se previamente unido em matrimônio, começaram a reinar conjuntamente sobre todo o território livre da Espanha, pondo termo às rivalidades sangrentas que solapavam os esforços de unificação nacional. A Espanha entrou então numa fase nova da sua história, fase selada pela vitória das tropas de Fernando e Isabel sobre os árabes em Granada no ano de 1492. Nesta data tendo sido extinto o último reduto árabe, não restava mais poder estrangeiro legalmente instalado em território espanhol. Contudo a obra de unificação estava longe de se achar consumada: não somente o fator étnico ou racial dividia entre si a população; também o elemento religioso diversificava os cidadãos; havia, sim, em meio à grande maioria de cristãos da península, grupos muito influentes de judeus e de muçulmanos. Este fato mereceu a atenção dos reis Fernando e Isabel, os quais resolveram empenhar zelo ferrenho (inspirado, sem dúvida, por motivos nacionais, mas corroborado por têmpera religiosa) a fim de absorver ou (caso isto não fosse possível) eliminar os elementos heterogêneos da população.

2. Não se poderia, porém, descrever a ação dos monarcas contra judeus e muçulmanos sem se reconstituir brevemente o significado destes dois grupos étnicos dentro da Espanha medieval.

a) Os Judeus. Durante a Idade Média foram sempre assaz numerosos no território espanhol: "uma terça parte dos cidadãos e comerciantes de Castela", escrevia Vincenzo Quirini, embaixador de Veneza no século XV; somente Toledo, a capital de Castela, contava mais de doze mil israelitas e possuía várias sinagogas de incontestável gosto artístico.

Nos séculos XII/XIV os judeus gozavam de liberdade e mesmo de estima nos reinos cristãos da península. É o historiador israelita Theodor Graetz (1817-1891) quem observa:

"Sob Afonso VIII o Nobre (1166-1214), os judeus ocuparam funções públicas... José ben Salomão ibn Schoschan, que tinha o título de príncipe, homem rico, generoso, sábio e piedoso, era muito considerado na corte e junto aos nobres... 0 rei, casado com uma princesa inglesa, tivera durante sete anos uma favorita judaica, chamada Rahei e, em vista de sua beleza, cognominada Formosa. Os judeus de Toledo ajudaram energicamente o monarca na sua luta contra os mouros" (Graetz, Histoire des juifs 1 V 118).

Em fins do século XIV, porém, e no decurso do século XV, os israelitas tornaram-se objeto de perseguições; irritavam profundamente o povo por suas riquezas, em grande parte arrecadadas à custa de empréstimos a juros elevadíssimos (podiam chegar a 40%), e por seu luxo tido como arrogante. Registraram-se primeiramente tumultos e linchamentos populares contra os judeus, desordens estas que os reis de Castela, Navarra e Aragão procuraram reprimir. A situação, porém, se tornou insustentável em meados do século XV, quando não poucos judeus, desejosos de conservar suas posições financeiras e políticas, pediam o batismo cristão, conservando não obstante a fé judaica e observando, no recôndito de seus domicílios, as práticas talmúdicas Essa onda de conversões insinceras recrudesceu principalmente em Castela, quando o jovem rei João 11 declarou os judeus incapazes de exercer alguma função pública (1468); deram-se então milhares de conversões aparentes, ocasionando um tipo de cidadãos que o povo chamava "Marranos" (palavra que jogava ao mesmo tempo com a expressão semita "Maran atha", 0 Senhor vem, e com o termo castelhano "marrano", leitão).

"Embora tivessem que participar dos sacramentos, (os marranos) esforçavam-se o mais possível por se lhes subtrair... No tribunal da penitência não confessavam coisa alguma ou só acusavam faltas leves; mandavam batizar seus filhos, mas, ao sair das cerimônias, lavavam cuidadosamente as partes do corpo ungidas pelo santo crisma. Alguns rabinos iam secretamente dar-lhes instrução... Imolavam, seguindo os seus ritos, animais e aves que lhes serviam de alimento.. . Só comiam carne de porco quando constrangidos a isso" (M. Marieiol, L*Espagne sous Fernand et lisabelle, pág. 45).

Ostentando a aparência de bons cristãos, os marranos chegavam a ocupar elevados cargos na Igreja, infiltrando-se até mesmo no alto clero; conta-se o caso (até que ponto será verídico?) de um Bispo de Calahorra, o qual, indo a Roma, comia carne às sextas-feiras (coisa lá proibida), rezava em hebraico segundo rito judeu, recusava pronunciar o nome de Cristo, e ainda espancava seus sacerdotes caso estes lhe quisessem chamar a atenção!

A hipocrisia dos marranos era não raro denunciada pelos seus correligionários de raça judaica que, tendo sinceramente abraçado a fé de Cristo, haviam recebido ordens sacerdotais na Igreja ou queriam dar provas de sua autêntica conversão. Em conseqüência, os marranos chegaram a se reunir em sociedades secretas de tipo maçônico, o que os tornava ainda mais suspeito e antipáticos ao povo. Este os tinha na conta de verdadeiro perigo para o bem comum, tanto do ponto de vista religioso como do ponto de vista civil (a causa religiosa e a causa nacional pareciam no caso, solidárias entre si).

b) Os muçulmanos. Quando os árabes maometanos ocuparam a Península Ibérica no século VI I I, deram inicio a uma política de tolerância para com o povo cristão, que cultivava o solo e que conseqüentemente passou a ser chamado "moçárabe" (do árabe must rib "arabizado"). Diz-se mesmo que no século XV rara era a família cristã que não contasse entre os seus antepassados um discípulo de Maomé.

Nos territórios que aos poucos iam sendo reconquistados, os reis cristãos se mostravam, por sua vez, tolerantes para com os árabes, reconhecendo a estes liberdade religiosa. Assim é que notável população de muçulmanos vivia nas cidades de Valença, Toledo, Sevilha, etc., gozando de grande influência no vida pública, pois os árabes continuavam a usufruir das Vantagens econômicas que possuíam antes da Reconquista; conseguiam mesmo ampliar essas vantagens mediante intenso comércio com seus correligionários do sul da Espanha, da África do Norte e da bacia do Mediterrâneo. Eis, porém, que no século XIV alguns motins de árabes prepotentes contra os governos cristãos provocaram, da parte destes, uma série de medidas que visavam doravante a conter a influência política e social dos muçulmanos, influência que se exercia principalmente pela indústria, o comércio e os empréstimos a juros.

Visando então a libertar-se da coibição e do controle dos soberanos espanhóis, não poucos maometanos abraçaram a fé católica, dando assim origem a outro tipo de cidadãos ambíguos, popularmente denominados "mouriscos". Convertendo-se ao menos em aparência, os árabes passavam a gozar dos mesmos direitos civis e religiosos que os cristãos, exceto o direito de acesso ao episcopado (contudo no século XV contavam-se vários bispos espanhóis convertidos do islamismo). Todavia as conversões interesseiras não escapavam à observação do público, que se mostrava infenso à hipocrisia dos "mouriscos"; as intrigas e maquinações destes, tramadas como que em sociedades secretas, vinham a ser inegavelmente mais perigosas para o bem comum do que as atividades dos muçulmanos confessos.

Na situação geral que acaba de ser descrita, compreende-se que aos poucos as autoridades dos reinos cristãos da Espanha tenham percebido a necessidade de dar busca ou "Inquisição" aos cidadãos ambíguos - marranos e mouriscos. Era, de um lado a segurança pública que o exigia dos poderes civis; doutro lado, já que a pureza da fé cristã estava em jogo, também as autoridades eclesiásticas deviam mostrar-se interessadas em tal gênero de indagação ou inquisição. Em uma palavra: para a Espanha cristã, a luta contra a falsidade religiosa, contra as maquinações secretas de cidadãos ambiciosos dissimulados sob rótulos religiosos, se apresentava como questão de vida ou morte. Destarte Estado e Igreja, interesses civis e interesses religiosos se entrelaçavam espontaneamente para dar origem ao famoso fenômeno da "Inquisição Espanhola".

É a este que vamos agora voltar diretamente a nossa atenção.

2.2. Surto e procederes da Inquisição Espanhola

Os reis Fernando e Isabel, visando à plena unificação de seus domínios, tinham consciência de que existia uma instituição eclesiástica a Inquisição - oriunda na Idade Média com o fim de reprimir um perigo religioso e civil dos séculos XI/XII - a heresia cátara ou albigense ~, perigo ao qual bem se assemelhavam as atividades dos marranos e mouriscos na Espanha do século XV.

1. A Inquisição Medieval, que nunca fora muito ativa na Península Ibérica, achava-se aí mais ou menos adormecida na segunda metade do século XV... Aconteceu, porém, que durante a Semana Santa de 1478 foi descoberta em Sevilha uma conspiração de marranos, a qual, dadas as suas intenções nitidamente anticristãs, muito exasperou o público. Então lembrou-se o rei Fernando de pedir ao Papa, reavivasse na Espanha a antiga Inquisição, e a reavivasse sobre novas bases, mais promissoras, confiando sua orientação ao monarca espanhol.

Sixto IV, assim solicitado, resolveu finalmente atender ao pedido de Fernando (ao qual, depois de hesitar algum tempo, se associara Isabel). Enviou, pois, aos reis da Espanha a Bula Exigit sincerae devotionis affectus de 1º de novembro de 1478, pela qual "conferia plenos poderes a Fernando e Isabel para nomearem dois ou três Inquisidores, arcebispos, bispos ou outros dignitários eclesiásticos, recomendáveis por sua prudência e suas virtudes, sacerdotes seculares ou regulares, de quarenta anos de idade ao menos, e de costumes irrepreensíveis, mestres ou bacharéis em Teologia, doutores ou licenciados em Direito Canônico, os quais deveriam passar de maneira satisfatória por um exame especial. Tais Inquisidores ficariam encarregados de proceder contra os judeus batizados reincidentes no judaísmo e contra todos os demais culpados de apostasia. 0 Papa delegava a esses oficiais eclesiásticos a jurisdição necessária para instaurar os processos dos acusados conforme o Direito e o costume; além disto, autorizava os soberanos espanhóis a destruir tais Inquisidores e nomear outros em seu lugar, caso isto fosse oportuno- (L. Pastor, Histoire des Papes IV 370).

Note-se bem que, conforme este édito, a Inquisição só estenderia sua ação a cristãos batizados, não a judeus que jamais houvessem pertencido à Igreja; a instituição era, pois, concebida como órgão promotor de disciplina entre os filhos da Igreja, não como instrumento de intolerância em relação às crenças não-cristãs.

Ora, apoiados na licença pontifícia, os reis da Espanha aos 17 de setembro de 1480 nomearam Inquisidores, com sede em Sevilha, os dois dominicanos Miguel Morillo e Juan Martins, dando-lhes como assessores dois sacerdotes seculares. Os monarcas promulgaram também um compêndio de "Instruções", enviado a todos os tribunais da Espanha, constituindo como que um código da Inquisição, a qual assim se tornava uma espécie de órgão do Estado civil.

Os Inquisidores entraram logo em ação, procedendo geralmente com grande energia. Parecia que a Inquisição estava a serviço não da Religião propriamente, mas dos soberanos espanhóis, os quais procuravam atingir criminosos mesmo de categoria meramente política.

Em breve, porém, fizeram-se ouvir em Roma queixas diversas contra a severidade dos Inquisidores. Sixto IV então escreveu sucessivas cartas aos monarcas da Espanha, mostrando-lhes profundo descontentamento por quanto acontecia em seu reino e baixando instruções de moderação para os juízes tanto civis como eclesiásticos.

Merece especial destaque neste particular o Breve de 2 de agosto de 1482, que o Papa, depois de promulgar certas regras coibitivas do poder dos Inquisidores, concluía com as seguintes palavras:

“---Visto que somente a caridade nos torna semelhantes a Deus.--rogamos e exortamos o Rei e a Rainha, pelo amor de Nosso Senhor Jesus Cristo, a fim de que imitem Aquele de quem é característico ter sempre compaixão e perdão. Queiram, portanto, mostrar-se indulgentes para com os seus súditos da cidade e da diocese de Sevilha que confessam o erro e imploram a misericórdia!".

Contudo, apesar das freqüentes admoestações pontifícias, a Inquisição Espanhola ia-se tornando mais e mais um órgão poderoso de influência e atividade do monarca nacional. Para comprovar isto, basta lembrar o seguinte: a Inquisição no território espanhol ficou sendo instituído tutor permanente durante três séculos a fio. Nisto diferia bem da Inquisição Medieval, a qual foi sempre intermitente, tendo em vista determinados erros oriundos em tal e tal localidade. A manutenção permanente de um tribunal inquisitório impunha avultadas despesas, que somente o Estado podia tomar a seu cargo; foi o que se deu na Espanha: os reis atribuíam a si todas as rendas materiais da Inquisição (impostos, multas, bens confiscados) e pagavam as respectivas despesas; conseqüentemente alguns historiadores, referindo-se à Inquisição Espanhola, denominaram-na  " Inquisição Régia”.

A fim de completar o quadro até aqui traçado, passemos a mais um pormenor característico do mesmo.

Os reis Fernando e Isabel visavam a corroborar a Inquisição, emancipando-a do controle mesmo de Roma... Conceberam então a idéia de dar à instituição um chefe.único e plenipotenciário - o Inquisidor-Mor -, o qual julgaria na Espanha mesma os apelos dirigidos a Roma. Para este cargo, propuseram à Santa Sé um religioso dominicano, Tomaz de Torquemada ("a Turrecremata", em latim), o qual em outubro de 1483 foi realmente nomeado Inquisidor-Mor para todos os territórios de Fernando e Isabel. Procedendo à nomeação, escrevia o Papa Sixto IV a Torquemada:

-Os nossos caríssimos filhos em Cristo, o rei e a rainha de Castela e Leão, nos suplicaram para que te designássemos como Inquisidor do mal da heresia nos seus reinos de Aragão e Valença, assim como no principado da Catalunha- (Burllar. Ord. Praedicatorum 111622). O gesto de Sixto IV só se pode explicar por boa fé e confiança. 0 ato era, na verdade, pouco prudente...

Com efeito; a concessão benignamente feita aos monarcas seria pretexto para novos e novos avanços destes: os sucessores de Torquemada no cargo de Inquisidor-Mor já não foram "nomeados pelo Papa, mas pelos soberanos espanhóis (de acordo com critérios nem sempre louváveis). Para Torquemada e sucessores, foi obtido da Santa Sé o direito de nomearem os Inquisidores regionais, subordinados ao Inquisidor-Mor.

Mais ainda: Fernando e Isabel criaram o chamado "Conselho Régio da lnquisição", comissão de consultores nomeados pelo poder civil e destinados como que a controlar os processos da Inquisição; gozavam de voto deliberativo em questões de Direito civil, e de voto consultivo em temas de Direito Canônico.

Uma das expressões mais típicas da autonomia arrogante do Santo Ofício espanhol é o famoso processo que os Inquisidores moveram contra o arcebispo primaz da Espanha, Bartolorneu Carranza, de Toledo. Sem descer aos pormenores do acontecimento, notaremos aqui apenas que durante dezoito anos contínuos a Inquisição Espanhola perseguiu o venerável prelado, opondo-se a legados papais, ao Concilio ecumênico de Trento e ao próprio Papa, em meados do século XVI.

Frisando ainda um particular, lembraremos que o rei Carlos III (1759-1788) constitui outra figura significativa do absolutismo régio no setor que vimos estudando. Colocou-se peremptoriamente entre a Santa Sé e a Inquisição, proibindo a esta que executasse alguma ordem de Roma sem licença prévia do Conselho de Castela, ainda que se tratasse apenas de proscrição de livros. 0 Inquisidor-Mor, tendo acolhido um processo sem permissão do rei, foi logo banido para localidade situada a doze horas de Madrid; só conseguiu voltar após apresentar desculpas ao rei, que as aceitou, declarando:

"0 Inquisidor Geral pediu-me perdão, e eu lho concedo, aceito agora os agradecimentos do tribunal; protegê-lo-ei sempre, mas não se esqueça ele desta ameaça de minha cólera voltada contra qualquer tentativa de desobediência" cf. Desdevises du Dezart, L'Espagne de l'Ancien Régime. La Socí~ 101s).

A história atesta outrossim como a Santa Sé repetidamente decretou medidas que visavam a defender os acusados frentes à dureza do poder régio e do povo. A Igreja em tais casos distanciava-se nitidamente da Inquisição Régia, embora esta continuasse a ser tida como tribunal eclesiástico.

Assim aos 2 de dezembro de 1530, Clemente Vil conferiu aos Inquisidores a faculdade de absolver sacramentalmente os delitos de heresia e apostasia; destarte o sacerdote poderia tentar subtrair do processo público e da infâmia da Inquisição qualquer acusado que estivesse animado de sinceras disposições para o bem. Aos 15 de junho de 1531, o mesmo Papa Clemente Vil mandava aos Inquisidores tomassem a defesa dos mouriscos que, acabrunhados de impostos pelos respectivos senhores e patrões, poderiam conceber ódio contra o Cristianismo. Aos 2 de agosto de 1546, Paulo 111 declarava os mouriscos de Granada aptos para todos os cargos civis e todas as dignidades eclesiásticas. Aos 18 de janeiro de 1556, Paulo IV autorizava os sacerdotes a absolver em confissão sacramental os mouriscos.

Compreende-se que a Inquisição Espanhola, mais e mais desvirtuada pelos interesses às vezes mesquinhos dos soberanos temporais, não podia deixar de cair em declínio. Foi o que se deu realmente nos séculos XVIII e XIX. Em conseqüência de uma revolução, o Imperador Napoleão 1, intervindo no governo da nação, aboliu a Inquisição Espanhola por decreto de 4 de dezembro de 1808. 0 rei Fernando VI[, porém, restaurou-a em 1814, a fim de punir alguns de seus súditos que haviam colaborado com o regime de Napoleão. Finalmente, quando o povo se emancipou do absolutismo de Fernando Vil, restabelecendo o regime liberal no país, um dos primeiros atos das Cortes de Cadiz foi a extinção definitiva da Inquisição em 1820. A medida era, sem dúvida, mais do que oportuna, pois punha termo a uma situação humilhante para a Santa Igreja.

É a luz destes dados históricos que se devem ler as notícias relativas aos instrumentos de tortura aplicados na Espanha sob a Inquisição. Não há dúvida, são algo de desumano e condenável; talvez, porém, os antigos não se horrorizassem tanto diante deles quanto nós, pois outrora os homens professavam uma mentalidade fortemente metafísica, isto é, propensa a colocar os valores transcendentais acima dos valores psicológicos e humanos, sem consideração de pessoas; desde que julgassem ser seu dever defender alguma nobre causa, tudo davam por ela, sacrificando mesmo pessoas humanas, de acordo com as categorias e os procedimentos da sua época. - De resto, o Cesaropapismo ou a indevida ingerência dos monarcas em assuntos de ordem interna da Igreja muito prejudicou a causa católica no decorrer dos séculos.

OS PROTOCOLOS DOS SÁBIOS DE SIÃO



Sendo bem direto, os protocolos dos Sábios de Sião são uma farsa lançada sob a égide da Rússia czarista como um plano para colocar a culpa das mazelas que ocorrem no mundo contra os judeus.

São 24 postulados, e caro leitor, cada um pior do que o outro traçam planos a respeito de uma suposta dominação dos judeus no mundo, a famosa Nova Ordem Mundial.

Como este site é um site sério e que não propaga qualquer tipo de ideologia condenatória contra nenhuma etnia ou religião, não irei me estender neste assunto, pois é uma grande perca de tempo.
Caso você queira ler sobre o assunto pode fazer o download na internet ou adquirir o livro em algum sebo.

A e tem mais, o prefácio é de Gustavo Barroso, um antissemita, preciso dizer mais alguma coisa?

OS JUDEUS, O DINHEIRO E O MUNDO
JACQUES ATTALI
Editora Futura – 2002 (648 págs.)


Retirei um trecho do livro Os Judeus, o dinheiro e o mundo para explicitar este ponto, veja:


5
DEUTERONÔMIO
I.        AS TERRAS E O LIVRO

Para acabar com o mito do dinheiro judaico

Após a Shoah, ficou impossível falar do lugar do povo judeu na economia mundial. São raríssimas as empresas que se mantiveram propriamente judaicas. Em sua maioria, aquelas das quais falamos até aqui, que o eram por causa de seus fundadores, não o são mais, ou até desapareceram. De geração em geração, o fogo sagrado acabou por enfraquecer até apagar-se. Como os outros, os judeus se assimilam, e suas empresas deixam de ser identificáveis aos respectivos criadores, ainda que estes lhes tenham legado o nome. Por fim, os que ainda dirigem empresas, como assalariados, não lhes imprimem uma especificidade judaica e não constituem um grupo específico: já não existe – ou quase não existe – “dinheiro judaico”.

Para começar, certos industriais judeus deixam de sê-lo. Entre estes, Marcel Bloch, ao voltar de Buchenwald, torna-se Marcel Dassault, converte-se e produz em 1949 um primeiro avião a jato, o Ouragan, seguido do Mystère e do Mirage. Outros criadores também mudam de nome, às vezes sem esconder isso – como Ralf Lifchitz, que passou a chamar-se Ralph Lauren –, às vezes mais discretamente.

Em contraposição, certos dirigentes de empresas na condição de assalariados são judeus, sem que estas, evidentemente, possam ser consideradas judaicas, como, no entanto, pretendem incontáveis panfletos antissemitas. Por exemplo, a Dupont de Nemours, empresa química fundada no fim do século XVIII por um protestante francês, foi durante algum tempo dirigida por um judeu lituano, Ernest Shapiro, e uma parte de suas ações pertenceu por um momento ao grupo Bronfman, sem que com isso ela se tornasse uma firma judaica. Do mesmo modo, a Walt Disney Company, cujos principais quadros dirigentes de hoje são judeus, não é uma sociedade judaica, apesar do que dizem também incontáveis sites e publicações antissemitas nos Estados Unidos. Tal é igualmente o caso da Time Warner, da Warner Music, da ABC, da CBS. Michel Bloomberg, fundador de uma agência de informações financeiras e novo prefeito de Nova York, Larry Ellison, fundador da Oracle, e Steve Balmer, presidente da Microsoft, evidentemente não fazem das empresas que eles dirigem – ou que criaram – “empresas judaicas”.

Em Hollywood, a Goldwyn Pictures permanece, ao lado da NBC (dirigida pelo filho de David Sarnoff), como a única empresa de origem judaica ainda dirigida por um descendente do fundador (o filho de Samuel Gldwyn). Em Londres, a agência Reuters – que não esconde suas origens em sua “biografia” oficial – jamais teve alguma coisa de agência especificamente judaica!

Na impresna escrita, o grupo Newhouse (fundado por Samuel Newhouse – nascido na Rússia em 1895 – e dirigido por seus filhos Samuel e Donald) controla vinte e seis jornais, editoras e revistas (Vogue, Vanity Fair, New Yorker) sem ser especificamente judaico. Assim como o New York Times, que ainda pertence à família Ochs e é dirigido por Arthur Ochs Sulzberger, bisneto do primeiro proprietário. O Washington Post continua pertencendo à filha de Eugen Mayer, que passou a chamar-se Kathy Graham e cujo filho dirige hoje o grupo, também proprietário da Newsweek.

Nenhuma rede secreta os liga, nem em público nem nos bastidores. E, se os Pritzker são proprietários dos hotéis Hyatt, evidentemente não há nada de específico em seus negócios ou em sua clientela!

Por fim, dos bancos judaicos que financiaram a economia do século XIX, poucos sobreviveram: o Warburg, o Seligman, o Bischoffsheim, o Kuhn-Loeb foram engolidos por outros; o Oppenheim, o Guggenheim, o Lehman, o Bleichröder tornaram-se quase insignificantes.

Na colocação de empréstimos, somente dois estabelecimentos de origem judaica – Salomon Brothers e Dillon-Reed – mantêm-se como principais corretores de colocação de obrigações, mas há muito tempo perderam qualquer especificidade. O Salomon Brothers salva Nova York da falência em 1975 – com Felix Rohatyn, do Lazard – e a Chrysler em 1980, obtendo-lhe 5 bilhões de dólares de empréstimos garantidos pelo governo federal. Nenhum desses dois estabelecimentos é dirigido por descendentes das famílias fundadoras, e nada lembra suas origens – nem mesmo em suas brochuras ou em seu site na Internet –, que Dillon sempre rejeitou.

Entre os bancos de negócios do século XIX, só conservam importância o Goldman-Sachs, o Lazard e o Rothschild, sendo os dois últimos os únicos ainda dirigidos por descendentes das famílias fundadoras.

Desde o início do século XX, o Goldman-Sachs, que se alçou com o Merryl Lynch ao primeiro nível dos bancos de negócios mundiais a partir de 1986, já não é dirigido por membros das famílias fundadoras. Até há pouco tempo, quem o dirigia era John L. Winberg, filho e neto de dirigentes da firma, mas sem vínculo de parentesco com os fundadores.

O Banco Lazard, desenvolvido por André Meyer a partir dos anos 40 e, a partir de 1975, por Michel David-Weill, descendente de um dos três fundadores, é hoje uma grande casa mundial, consultora das principais fusões e aquisições, sem especificidade judaica. Vindo da Hungria, com passagem por Paris, Felix Rohatyn exerceu nele um papel considerável, hoje desempenhado por Bruce Wasserstein, que assumiu a direção no lugar de Michel David-Weill.

A casa Rothschild mantém seu nível na Grã-Bretanha. Na França, David de Rothschild, filho de Guy, descendente de James, recriou a casa em Paris como banco de negócios em 1987, após a nacionalização como banco comercial em 1982. Em seguida, David foi associado à direção do de Londres e hoje faz do conjunto, com seu primo Evelyn, um dos primeiros bancos de negócios do mundo. Ele ainda dirige, depois de seu pai, Guy, a instituição de assistência social da comunidade francesa, o FSJU. Seu primo Benjamim, filho de Edmond, dirige outro grupo Rothschild, outro conjunto de bancos, sem ou quase sem qualquer relação financeira com o precedente.

Muitos bancos criados por judeus na Europa desapareceram com o nazismo e não ressurgiram dos escombros. Em Bruxelas, o banco Philippson, fundado em 1871 por Franz Philippson e que passou a chamar-se banco Degroof durante a última guerra, não recuperou seu nome. Os descendentes dos proprietários iniciais voltaram a ser acionistas minoritários e um deles preside o conselho administrativo do Degroof. Em Hamburgo, o banco Warburg, que se tornou Brinckmann em 1939 e voltou a ser Warburg em 1991, dois anos após a saída da família Brinckmann, praticamente desapareceu. O Deutsche Bank – que, em sua “biografia” oficial, não menciona o judaísmo de seu fundador, Ludwig Bamberger – e o Dresdner Bank – o qual, por sua vez, não o esconde – já não têm nada de judaicos. Na Polônia, é também esse o caso dos bancos Handlowy e PKO. De igual modo, em Londres, o Hambros há muito tempo deixou de ser um banco judaico, tanto por seus acionistas quanto pos seus dirigentes.

Trajetória meteórica: em 1938, o sobrinho de Max Warburg, Siegmund, cria a casa S. G. Warburg em Londres, antes de participar do financiamento da economia de guerra, de inventar as ofertas públicas de compra de ações, de lançar mais tarde os primeiros empréstimos em eurodólares e de tentar inutilmente uma fusão com o Kuhn-Loeb, para reatar com a tradição familiar. Ele morre em 1982 sem ter visto desaparecer sua casa – da qual faz então uma das principais no mundo –, engolida quinze anos depois pela União dos Bancos Suíços.

Por outro lado, vários judeus eminentes exercem um papel importante no encaminhamento das instituições financeiras internacionais que se instalam a partir de 1944.

É o caso de Harry Dexter White, filho de emigrados lituanos, nascido em Boston em 1892. Ele escolhe os movimentos financeiros estrangeiros na França como tema de sua tese, demonstrando que as exportações de capitais podem levar um país ao desastre. Depois de lutar no front em 1917, ensina economia em diversas universidades americanas e, em 1934, passa a trabalhar na administração pública. Vice-ministro das Finanças e adjunto de Henry Morgenthau em 1942, prepara com os britânicos os estatutos das futuras instituições financeiras internacionais, cuja criação está prevista para depois do fim da guerra, de resultado ainda indeciso. Ele propõe a implantação de um fundo de estabilização dos câmbios que emitiria uma moeda de reserva, a unitas, e de um banco mundial de investimento que financiaria o desenvolvimento dos países a reconstruir e gerenciaria o estoque mundial de ouro. Diante disso, o negociador britânico, John Maynard Keynes – que já foi um dos negociadores britânicos do tratado de Versalhes, após a Primeira Guerra Mundial –, propõe um sistema menos dependente dos Estados Unidos: uma moeda mundial, o bancor, e um banco central mundial. Harry Dexter White impõe tanto mais facilmente seus pontos de vista a Keynes quanto os comboios de navios americanos de socorro que atravessam o Atlântico parecem retardar ou acelerar sua velocidade pelo ritmo dos progressos obtidos pelos negociadores... Em julho de 1944, em Bretton Woods, nos Estados Unidos, o papel do Fundo Monetário Internacional (FMI) é reduzido à concessão de empréstimos a curto prazo para compensar as flutuações das taxas de câmbio; o do Banco Mundial limita-se a consentir empréstimos para o lançamento de projetos específicos no Terceiro Mundo. Nomeado primeiro administrador americano do FMI, Harry Dexter White, então muito doente, tem de demitir-se já em março de 1947. Em janeiro de 1948, é acusado de ser agente comunista, por haver desejado a adesão da URSS ao FMI e por ter proposto, com Henry Morgenthau, o desmantelamento da indústria alemã. Em abril, depõe numa comissão de inquérito do Senado. Interrogatório tenso: recusam-lhe o repouso que ele solicita; ele morre quarenta e oito horas depois. Em 1953, o senador McCarthy acusará o presidente Truman de ter ocultado que Harry Dexter White era espião soviético, antes de os arquivos demonstrarem que ele nunca foi nada disso.

Outros, mais tarde, exercerão um papel influente junto aos poderosos, em certos países da Europa, criando várias outras instituições financeiras internacionais e continuando a escapar, pela literatura ou pela ciência, às profissões ligadas a dinheiro.

Hoje, quando brokers e fundos de pensão gerenciam o essencial da poupança do mundo, o ofício de corretor de capitais toma novas direções. Mais uma vez, encontramos corretores judeus nos setores mais inseguros: primeiro as junk bonds, títulos muito arriscados, outrora tão úteis ao financiamento da indústria americana, e em seguida os hedge funds, mecanismo de cobertura dos riscos. Alguns trabalham em bancos ou em fundos especializados, tais como o Marshall-Wace, o Voltaire, o Meditor ou o Tiger. Outros se encontram entre os gerentes dos principais fundos, tais como o Capital Research International, o Fidelity ou os do Deutsche Bank, e até em fundos de venture capital dedicados a financiar a inovação.

Entre estes últimos, um dos únicos a ter criado sua própria estrutura é Georges Soros. Nascido na Hungria em 1930, chegado em Londres em 1947, ele trabalha de início para o que resta então do pequeno banco Bleichröder em Nova York, antes de fundar em 1979 o Quantum Fund, que logo passa a gerir mais de 15 bilhões de dólares. Mais que um investidor, Soros é especializado na gestão a curto prazo, inclusive a especulação sobre as moedas, antes de consagrar o essencial de seu tempo, e de sua fortuna, às suas fundações pela promoção da democracia no leste da Europa e à propagação das ideias do filósofo Karl Popper.

Dois setores permanecem amplamente judaicos, como há séculos: as indústrias de roupas, em Londres, Chicago, Nova York e Paris, e a corretagem de diamantes, exercida essencialmente entre Nova York – na Rua 47 –, Tel-Aviv e Antuérpia. Ambos enfrentam forte concorrência: particularmente, o mercado indiano parece estar assumindo o poder no setor dos diamantes.

O papel relativo do “meio” judaico na criminalidade diminui também com a globalização, embora ainda se encontrem alguns de seus membros como corretores em certos tipos de lavagem de dinheiro do tráfico de drogas, de Los Angeles a Moscou, de Bogotá a Tel-Aviv. Uma única rede especificamente judaica foi revelada, em fevereiro de 1990, em Nova York. Seu circuito era o seguinte: uma parte da droga do cartel de Cali era trocada na Colômbia por diamantes; para serem convertidos em dinheiro líquido, estes eram enviados para Milão e montados em joias, as quais seguiam para Manhattan a fim de serem vendidas legalmente – mediante pagamento em espécie – na Rua 47, onde, segundo um comentário enfático do diário israelense Maariv, que revelou o negócio, “há mais restaurantes kosher do que em toda Tel-Aviv, e onde fica a maior lavanderia de dinheiro da droga nos Estados Unidos”. Uma parte do produto dessa venda era então entregue pelos joalheiros a instituições judaicas de Nova York, que restituíam parcialmente o dinheiro – sempre cash – a contrabandistas dos cartéis. Os dirigentes dessa rede faziam alguns de seus intermediários – judeus ortodoxos, como um rabino do Brooklyn cuja prisão, em fevereiro de 1990, revelou toda a história – acreditamos que eles estavam ajudando diamantistas da Rua 47 a fraudar o fisco, ou judeus iranianos a liberar seus capitais. O chefe da rede, um isrelense, confessou ter lavado dessa maneira 200 milhões de dólares para o cartel de Cali – ou seja, menos de 1 por cento do volume anual de negócios desse cartel, que distribui quatro quintos da cocaína e um terço da heroína consumidas no mundo.

Um assunto espinhoso não acham?

HOLOCAUSTO



Acredito que não preciso nem comentar sobre esse assunto, assim como suprimi a Cabala dos pontos deste artigo, porque não estou aqui para salientar o extermínio em massa de um povo mas sim para mostrar suas qualidades, sua cultura e sua desenvoltura diante da sociedade, quero neste artigo justamente isso mostrar verdadeiramente o povo judeu, sua essência.
Peço que compreenda meu posicionamento e não fique chateada(o) comigo, pois estou aqui para abrilhantar culturas e não para enfraquece-las.

SÍMBOLOS JUDAICOS



Candelabro


Estrela de Davi


Talit



A QUESTÃO DA PALESTINA

Já escrevi sobre este assunto caro leitor.




Referências bibliográficas


A Bíblia Sagrada
Edição Ave-Maria

Da religião bíblica ao judaísmo rabínico – origens da religião de Israel e seus desdobramentos na história do povo judeu.
Donizete Scardelai, Paulus



Liturgia Judaica – fontes, estrutura, orações e festas.
Carmine di Sante, Paulus



Jesus segundo o judaísmo.
Beatrice Bruteau(org.), Paulus




Os judeus o dinheiro e o mundo.
Jacques Attali, Editora Futura





Os protocolos dos sábios de Sião



*****Indicação de leitura*****

A cabala

Autor: Papus