A Reforma Protestante – do rompimento com a Igreja à teologia da prosperidade.




Pois a palavra de Deus não pode ser recebida e honrada por quaisquer obras, mas tão-somente pela fé.
                                                    - Martinho Lutero, Da liberdade cristã.

Mais uma vez estabeleço contato com você para mostrar as facetas da Reforma Protestante, suas vertentes e principalmente as consequências desse acontecimento tão importante na história, pois refletiu de forma perpétua não só nas esferas religiosas, mas também no parâmetro socioeconômico dos diversos países que a adotaram.

E fui surpreendido quando estava ainda em fase de pesquisa na elaboração deste artigo quando soube que o número de protestantes cresceu de forma espantosa. Isso mostra que a miscelânea cultural em que estamos envolvidos é cada vez mais abrangente.
Resolvi escrever esse artigo que de antemão digo: não é de cunho religioso, mas sim jornalístico/histórico. Minha proposta aqui é como em outros artigos que já escrevi como, por exemplo, o de William Shakespeare esclarecer determinado fato histórico ou personagem, e nesse caso o personagem central será Martinho Lutero, que obviamente servirá de base para todo o texto, já que ele foi o principal reformador.

Irei retratar a vida não só de Lutero, mas de alguns reformadores importantes como: Calvino e Zwínglio, este último não muito conhecido. Irei citar também o oportunismo de Henrique VIII, porque caro leitor, tenho que admitir: ele foi oportunista.
Permeando toda a saga dos reformadores irei retratar a famosa noite de São Bartolomeu, um dos conflitos mais sangrentos em pleno fervilhar da Reforma, no século XVI.

Mais adiante sobre o aparecimento das igrejas, os mais variados tipos, e a aplicação da teologia da prosperidade, o trabalho dos pastores e o fenômeno gospel.
Fundamentalismo religioso também fará parte desta matéria. E fiz uma pesquisa bem apurada das diferenças entre católicos e protestantes, aí é que entra o caráter teológico.
Basicamente, esses serão os temas, como pode perceber será uma espécie de retrato do estabelecimento protestante no Brasil; sinceramente desejo uma excelente leitura e espero que goste.

A REFORMA QUE ABALOU O MUNDO – E ASSIM SURGIU MARTINHO LUTERO



Martinho Lutero (1483-1546), que pode ser considerado como o pai fundador do protestantismo, nasceu em Eisleben na Alemanha. Concluídos os estudos universitários, entra em 1505 para o convento dos agostinhos.
Depois de ter sido ordenado padre e de ter preparado um doutoramento em Teologia, ensina a Sagrada Escritura, a Bíblia, na Universidade de Vitemberga.
Em busca da verdade (curioso estabelecer a relação dos personagens que travaram batalha em busca desse ideal e que foram perseguidos), trabalha nos textos bíblicos, em particular os salmos e as epístolas dirigidas por Paulo às primeiras comunidades cristãs.

A vida de Lutero como pode-se perceber até aqui, à procura da verdade, pois no centro de sua austera vida de monge feita por uma ardente e dolorosa busca de conhecimento válido para se chegar a conclusões verídicas.
Com base em suas pesquisas chega à conclusão de que o homem pecador nada pode fazer para obter o perdão de Deus, contrariando o que diz o cristianismo.
Ele meu caro teve uma revelação, uma espécie de epifania. Recebe-a com humildade, como uma espécie de anistia divina, apenas da Sua graça e sem nada poder fazer para merecer a salvação.

Segundo a revelação de Lutero, a vida monacal, a ascese, as mortificações, as ações ou as obras humanas, sejam elas quais foram, a piedade e a própria caridade, são vãs para se obter a salvação.
Nessa época vivia-se o terror psicológico, ou melhor dizendo, o terror do inferno, do castigo das penas eternas. Portanto para uma vida exemplar era conveniente atrair os favores e a misericórdia de Deus com suas ações.
O que quero dizer é que a salvação era compreendida como uma recompensa.

Foi nessa mesma época que surgiu a figura de Johannes Tetzel (1465-1519), dominicano alemão, prega as indulgências, ou seja, a remissão das penas de certos pecados.
Estas indulgências eram vendidas para ajudar a reconstrução da Basílica de São Pedro de Roma.

Lutero simplesmente ficou com o perdão do trocadilho: POSSESSO!
Revoltado com tal prática e com o comércio religioso também chamado de simonia, reagiu vigorosamente: como poderia um tal comércio comprar o perdão de Deus?
Como disse, ele reagiu à altura e no auge do seu afã socrático redige contra as indulgências suas noventa e cinco teses, que são afixadas na porta da igreja do castelo de Vitemberga, a 31 de outubro de 1517.

Esse início como costumo dizer é místico da história protestante, pois marca a memória de forma emblemática; em lembrança deste acontecimento, a festa dita da Reforma é assinalada com frequência no último domingo de outubro.
Lutero é considerado o primeiro reformador e claro o mais  importante, principalmente do ponto de vista histórico.

Agora cheguei no clímax deste tópico. Lutero nunca quis a separação, nunca quis deixar a Igreja. É bom que se diga isso para desmistificar a ideia de que ele foi um grande oportunista e um simples revoltado, pois isso não é verdade.
Como já destaquei, Lutero era um homem sério que quis reformar a Igreja por dentro, sem a deixar.

Ele foi convidado a se retratar e recusou a oferta, invocando a autoridade da Bíblia contra as decisões dos papas e da Igreja, que segundo ele não tem nada de infalibilidade.
Foi excomungado da Igreja e banido (expulso) do império.
O príncipe Frederico, o Sábio, conquistado pelas suas ideias, protege-o e esconde-o durante dez meses no castelo de Wartburgo.
É exatamente nesse momento que Lutero inicia uma tradução da Bíblia para o elemão, que vai conhecer de imediato uma imensa difusão e contribuirá para modelar a língua alemã.

Sei que ainda não o citei, mas Gutemberg, o inventor da imprensa, sinceramente teve um papel fundamental para que todo esse processo fosse possível, pois ao criar os tipos possibilitou que as escrituras mais sagradas e escondidas pudessem ser lidas por um número cada vez maior de pessoas.

Pois muito bem, na Dieta de Worms (assembleia política), convocada em abril de 1521 pelo imperador Carlos V e à qual Lutero deve comparecer para ser ouvido e julgado, o reformador pronuncia estas palavras frequentemente citadas:
“Se não me convencerem pelas afirmações da Escritura ou pela evidência da razão – porque não confio nem no papa nem nos concílios (reunião episcopal), uma vez que se enganaram com frequência e se contradisseram - , estou ligado pelos textos escriturísticos que citei e a minha consciência é escrava das palavras de Deus; porque não está certo nem é honesto agir contra sua própria consciência. Só posso esperar que Deus venha em meu auxílio”. 
     
Nascia a partir daí o movimento da Reforma Protestante. O protesto inovador e reformador de Lutero conhecera um eco imenso e uma considerável amplitude.
Foi com a segunda Dieta de Espira, convocada em 1529 por Carlos V para impor a todos os príncipes favoráveis à Reforma a sujeição ao papa, chefe da cristandade ocidental, que a palavra protestantismo nasce.
Entenda: recusando sujeitar-se, estes príncipes assinam um protesto da seguinte maneira: protestamos perante Deus...>> diz entre outras coisas esse texto.
Foi a partir daí que surgiu esta palavra usada até os dias de hoje atribuída aos partidários da Reforma.

E LUTERO GANHA SEUS SEGUIDORES


Ainda que os teus passos pareçam inúteis, vai abrindo caminhos, como a água que desce cantando da montanha. Outros te seguirão...
(Saint-Exupéry)

Outro reformador é Ulrich Zwínglio (1484-1531) que põe em marcha em Zurique na Suíça uma ação reformadora.
Logo em seguida vem João Calvino (1509-1564), nascido em França, em Nyon e morto em Genebra, faz o mesmo na Suíça românica.
O seu pensamento irradiam de tal forma que Genebra se torna a capital espiritual do protestantismo de expressão francesa.

Com a Instituição da religião cristã, Calvino escreveu a primeira obra teológica importante publicada em francês e já não em latim, àquela altura isso representava um salto e tanto para o progresso da descentralização papal.
Lutero, Zwínglio e Calvino são então considerados os três primeiros e os três mais importantes reformadores, pois a tradição protestante graças à ação de numerosos outros reformadores, expande-se rapidamente pela Europa.
Qual a diferença entre luteranos e reformados?

São chamadas de luteranas as Igrejas protestantes saídas da Reforma de Lutero, tanto na Alemanha como noutros países e reformadas as que, em França e em outros pontos, se reclamam da herança de Calvino e de Zwínglio.
Se distinguirmos assim os reformados dos luteranos, também menciono uma família muito importante do protestantismo, a dos batistas que, já desde o século XVI, apesar de o nascimento se situar no século XVII na Inglaterra, recusam o batismo das crianças; pois defendem que o batismo é inseparável de uma iniciativa consciente, de uma conversão explícita e de uma confissão de fé pronunciada pelo batizado.

Notei que os batistas estão muito próximos dos reformados; são minoritários na Europa, em contrapartida constituem a maioria nos Estados Unidos.
Acrescento que se o cristianismo conhece um primeiro grande cisma, separando a Igreja do Ocidente (catolicismo) da Igreja do Oriente (o ortodoxismo), o anglicanismo, que representa uma via intermédia entre o catolicismo e o protestantismo, nascido em 1534 com Henrique VIII na Inglaterra, constitui outro.

Nestes três casos – Ortodoxia, Protestantismo e Anglicanismo – a separação em relação a Roma fez-se recusando a autoridade do papa. Só que neste último foi mais uma jogada política do que meramente religiosa, pois Henrique VIII não queria perder as suas terras para a Igreja e para acentuar a situação quis casar-se com Ana Bolena, sua amante. Obviamente Catarina de Aragão sua esposa não aceitou tal situação e você já viu... O circo estava armado.

A MENSAGEM DO PROTESTANTISMO


O pensamento protestante, enraizado na leitura bíblica, foi e ainda é recebido como uma mensagem libertadora.
Para mensurar de forma consistente entenda que o amor e o perdão de Deus não dependem, não dependem nunca de você ou de algum mérito ou esforço de sua parte, mas da obra realizada uma vez por todas pelo Cristo, isto é, o Messias e o Salvador.

É em Jesus, mais particularmente, que Deus nos encontra e nos fala; tal a verdade cristã da encarnação.

Mas, para os protestantes, é em Jesus apenas que se descobre e se reconhece a salvação sem qualquer ação ou mérito da nossa parte.
A isto se pode chamar Boa-Nova, também chamado de evangelho, pois esta palavra vem de um termo grego e dá-se o nome de Boa-Nova.
E é esta Boa-Nova que nos arranca ao terror do pecado, da morte e da perdição, explica uma parte essencial do sucesso da causa protestante.
É por isso que nenhum intermediário – nem Maria, nem os santos, nem o clero representado pelo papa – pode nos salvar nem ser venerado e objeto de culto.
Somente Deus é Deus.

A necessidade de interpretação das Sagradas Escrituras sem um intermediário representou um salto a conquista de um espaço cada vez maior de esclarecimento de muitas classes que aderiram ao movimento, a meu ver essa foi a grande conquista, autonomia.

O CONFLITO SANGRENTO – A NOITE DE SÃO BARTOLOMEU, UM DOS MAIORES MASSACRES AOS PROTESTANTES.



Partindo para o famigerado dia de 24 de agosto de 1572, os ânimos entre católicos e protestantes estavam exaltados, pois as matanças organizadas pela Casa real francesa começaram em 24 de Agosto de 1572 e duraram vários meses, inicialmente em Paris e depois em outras cidades francesas, vitimando entre 30 mil e 100 mil protestantes calvinistas franceses chamados de huguenotes.
Não quero me ater diretamente a esse acontecimento, pois as minhas fontes são poucas a respeito já que não quero utilizar literatura espírita para relatar os fatos, pois segundo o livro psicografado há uma riqueza de detalhes enorme, mas que a meu ver não conta como fonte histórica, pois não pode-se provar com documentos verídicos como na linguagem usual: documentos assinados por pessoas encarnadas.

Então é basicamente isso, a noite de São Bartolomeu foi na verdade um acirramento político com o chefe da dinastia dos huguenotes Henrique de Navarra para conquistar a coroa real, só que em 22 de Agosto, um agente de Catarina de Médicis (a mãe do rei da França de então, Carlos IX de França, o qual tinha apenas 22 anos e não detinha verdadeiramente o controle), um católico chamado Maurevert, tentou assassinar o almirante Gaspard de Coligny, líder huguenote de Paris, o que enfureceu os protestantes, apesar de ele ter ficado apenas ferido. Isso foi o estopim para que houvesse uma sangrenta batalha entre os dois grupos.
Nas primeiras horas da madrugada de 24 de agosto, o dia de São Bartolomeu, dezenas de vários líderes huguenotes foram assassinados em Paris, numa série coordenada de ataques planejados pela família real.

E esse não foi o primeiro nem o último ataque aos protestantes franceses.

O SURGIMENTO DAS IGREJAS PROTESTANTES E SUAS VARIANTES


Você deve estar se perguntando: ele vai dar um salto do século XVI para o século XX/XXI assim dessa maneira?
Não. Eu não esqueci de mencionar uma das obras que me serviu de inspiração na elaboração deste post: A ética protestante e o espírito do capitalismo, de Max Weber.
Só que vou fazer de uma forma diferente, vou mesclar os séculos, considero que vai ficar mais interessante.

Vou começar contando uma história de um texano nascido em 1917 chamado Kenneth Hagin. Ele era uma criança doente e desde os nove anos ficou confinado na casa do avô; aos 16, infeliz e desenganado pelos médicos, preso a uma cama tinha poucas esperanças de ver sua vida melhorar.

Só que sua vida mudaria drasticamente, pois um ano depois em 1934, Hagin teve uma revelação. Ele compreendeu de repente o significado de um versículo do evangelho de São Marcos.
Que evangelho seria esse para causar tanto vigor em um jovem que não possuía tantas chances de viver e já estava convalescendo?
A passagem é essa: “Tudo quanto em oração pedires, credes que recebeste, e será assim convosco”.

Hagin ergueu as mãos para o céu e agradeceu a Deus pela cura, mesmo sem ver sinal de melhora. Então se levantou da cama. Estava curado.
Mas como  pode?
Essa mensagem que Hagin propagou largamente por meio de mais de 100 livros, é clara: Deus é capaz de dar o que o fiel desejar, pois basta ter fé e acreditar que as próprias palavras tem poder.

Sendo assim, para os verdadeiros devotos, nunca faltará dinheiro ou saúde.
Preferi começar com essa história verídica por sinal e bem didática para ilustrar a chamada teologia da prosperidade.
Teologia essa que serviu de estudo para um dos maiores sociólogos, considerado um dos fundadores da sociologia: Max Weber.
Sua obra mais famosa é o ensaio A ética protestante e o espírito do capitalismo, com o qual começou suas reflexões sobre a sociologia da religião. Weber argumentou que a religião era uma das razões não exclusivas do porque as culturas do Ocidente e do Oriente se desenvolveram de formas diversas, e salientou a importância de algumas características específicas do protestantismo ascético (espiritual), que levou ao nascimento do capitalismo, a burocracia e do estado racional e legal nos países ocidentais.

Essa obra é tão importante pois deixa claro que o crescimento de países capitalistas onde o protestantismo se estabeleceu foi bem maior do que nos países não protestantes.


O que podemos inferir a respeito?

Que o protestantismo foi também a mola propulsora desse sistema acachapante que vira e mexe dá sinais de cansaço e que já enterrou sonhos e ideais em um jogo de gato e rato. Um sistema em que a roda viva de emoções está a todo vapor e que solidifica a errônea ideia de que vive bem quem possui mais, quem tem mais a oferecer.
A teologia da prosperidade foi incorporada anos depois por várias igrejas e ela é central no mais impressionante fenômeno religioso do Brasil contemporâneo: a explosão evangélica.

No começo essa explosão se deu de forma silenciosa, praticamente ignorada pelas classes médias.
Os templos começaram a surgir nas cidadezinhas perdidas e nas periferias miseráveis. Hoje já não é mais assim.
A Igreja Pentecostal Deus é Amor em São Paulo: 
A obra tem tamanho de um shopping center, e comporta cerca de 22 mil pessoas sentadas; só para ter uma ideia é cinco vezes maior que a Catedral da Sé que fica próxima.

Até aqui sempre me referi aos adeptos dos reformadores com o termo protestantes, e o termo evangélico, é a mesma coisa?
Sim. É a mesma coisa. Ou seja, evangélicas são praticamente todas as correntes nascidas do racha entre o já conhecido Martinho Lutero e a Igreja Católica em 1517.

E voltando ao século XVI, o Brasil colonial passou quase imune à avalanche protestante. Houve apenas algumas exceções como os calvinistas franceses e holandeses que invadiram o país.
O primeiro culto protestante em terras tupiniquins foi celebrado por franceses no Rio de Janeiro, em 1557.

Você já deve saber que a liberdade religiosa no Brasil só veio com a independência com a Constituição de 1824.
No mesmo ano, alemãs fundaram a primeira comunidade luterana no Brasil e logo depois chegaram as correntes missionárias, como os metodistas, dispostas a pregar nas ruas, para salvar almas.
Eles caíram nas graças da intelectualidade republicana que influenciada com a “ética protestante” defendia a presença de evangélicos para a modernização do país.

Mas os protestantes que prosperaram no Brasil não tinham muito haver com as  ideologias de Max Weber.
No início do século XX, a fundação de duas igrejas seria decisiva para definir o perfil evangélico nacional:


  • A Congregação Cristã no Brasil – Fundador: italiano Luigi Francescon.
  • Assembléia de Deus – Funadadores: suecos Gunnar Vingren e Daniel Berg.

Apesar de origem europeia, elas chegaram ao país via Estados Unidos (grande novidade não é?), onde se envolveram com uma nova corrente: pentecostalismo. Um grupo que crescia em popularidade desde a virada do século.
E essa corrente, é bom que se diga, era desaprovada pelos protestantes históricos, os que são ligados a Lutero e Calvino.

Os protestantes mais tradicionais não gostavam da principal característica da doutrina pentecostal: a exacerbação dos poderes sobrenaturais do Espírito Santo.
Sendo mais claro, o mais notável desses poderes é a capacidade que Deus tem de curar imediatamente qualquer problema de saúde, daí aquelas cenas de aleijados abandonando muletas e míopes pisando em óculos com uma dramaticidade de fazer inveja a atores globais.
O pentecostalismo cresceu na classe baixa, promovendo cultos fervorosos e improvisados, bem diferentes dos protestantes tradicionais, tão formais quanto contidos.

Para participar, o cristão tem que fazer importantes mudanças. Os pentecostais eram os chamados crentes estereotipados: mulheres de cabelos compridos e saias e homens de terno e bíblia na mão.
Por trás dessa imagem está a ideia de que o cristão deve se manter concentrado em Deus, só assim ele pode evitar que o diabo ganhe espaço na sua vida.
Para você, caro leitor, compreender melhor – para os pentecostais o mundo é simples: o que não é de Deus é do diabo.

Até a década de 50, esse modelo reinou sozinho no pentecostalismo nacional.
Só que dessa vez o pentecostalismo sofreu um upgrade. A chegada da segunda onda foi chamada de neopentecostalismo.
Em 1951 desembarcou por aqui a Igreja do Evangelho Quadrangular, uma espécie de costumes liberais.
Ou seja, esqueça o vestuário sério e contido, agora a situação requer algo mais extrovertido e porque não de comportamento mais adequado com a vida de cada um.

No livro Neopentecostais – Sociologia do novo pentecostalismo no Brasil, o autor Ricardo Mariano afirma que a preocupação dos neopentecostais é com esta vida.
Outra diferença é a radicalização da divisão do Universo entre Deus e o diabo; pois para os neopentecostais, os homens não são responsáveis pelos atos de maldade que cometem: é o diabo que os leva a pecar.
Aí entram em cena as chamas sessões de descarrego.

A receita vale pra tudo, inclusive para doenças incuráveis. Assim expulsar demônio do corpo que não é bem assim, como vou explicar mais adiante, é a receita única para todos os males, de casamento infeliz até câncer no pulmão.
O ritual é escabroso. É feito aos gritos de sai capeta, às vezes com lágrimas escorrendo pelo rosto e transes que terminam no exorcismo.
Mas a inovação mais interessante do neopentecostalismo foi a aplicação da teologia da prosperidade, aquela exposta no início deste tópico.
Graças a essa “teologia”, o neopentecostalismo ganhou a alcunha de “fé de resultados”.

Nela Deus é visto como um office-boy, pois o crente dá ordens e determina o que pretende.

Não há qualquer reconhecimento das fragilidades humanas e de suas necessidades em relação a um Deus superior.
No Brasil, além da Universal, a Renascer em Cristo, a Sara Nossa Terra e a Internacional da Graça de Deus adotam teologias da prosperidade.
A força com que o neopentecostalismo cresceu desorganizou o protestantismo, digo isso porque pelas pesquisas feitas por mim até agora sobre esse tema, percebi que há uma perda de identidade no protestantismo mundial.
A onda de mudanças foi tão grande, pois foi bater até a onda da Reforma de Lutero não tinha chegado: no catolicismo. Isso mesmo, catolicismo.

A influência neopentecostal sobre a renovação carismática católica é tão grande que um dos maiores expoentes aqui no Brasil agora nem tanto assim, o padre Marcelo Rossi foi acusado de ter gravado hinos religiosos tirados de templos evangélicos.

  • COMO PROSPERAR NUMA IGREJA EVANGÉLICA


Para o fiel virar pastor, o importante é ter carisma. A formação teológica nem sempre é exigida. Certamente as chances de um pastor ganhar dinheiro são proporcionais ao seu talento em arrecadar.
Cada denominação estabelece seu sistema de organização e escolhe o nome dos cargos.
Pesquisei algumas e escolhi como exemplo o plano de carreira da Igreja do Evangelho Quadrangular.

DIÁCONO
É o encarregado do bem-estar durante os cultos. Cuida da organização do templo, atende novos fieis e faz a triagem dos casos que serão encaminhados para o pastor. É a única função permitida aos leigos. O trabalho é voluntário.

OBREIRO
Auxilia o pastor comandando encontros religiosos residenciais, visitando doentes e pregando em novas congregações. O cargo exige uma formação no Instituto Teológico da Quadrangular. É um cargo não remunerado.

ASPIRANTE AO MINISTÉRIO
Obreiros com carisma e vocação para pregar, com pelo menos quatro anos de experiência, são convidados a comandar cultos na ausência do pastor principal. Esse trabalho também é voluntário.

PASTOR LOCAL
Depois de dois anos como assistente, o sujeito pode comandar os cultos, administrar o templo e atender a congregação e passa finalmente a ganhar por isso.
A remuneração é proporcional ao tamanho do templo e, claro, a sua arrecadação.

SUPERINTENDENTE
Pastor responsável pelo templo de importância local. Também é encarregado pelo monitoramento de outros templos menores da mesma região.

DIRETOR
Integra a cúpula nacional, formada por dez pastores eleitos anualmente. Decide rumos administrativos e religiosos da quadrangular.

AS TOP FIVE DE DEUS


Irei relacionar abaixo algumas das principais igrejas evangélicas deste país que só fazem aumentar com o passar do tempo:

1             Bola de Neve – A igreja como o próprio nome diz cresce como bola de neve. O público é formado em sua maioria por jovens de 18 a 35 anos. A igreja como outras é dividida em ministérios. E porque o nome Bola de Neve? Porque começando pequena, acabaria virando uma avalanche. Foi fundada por surfistas, Rinaldo Pereira e Denise Pereira e logo nos primeiros cultos acabou juntando dois símbolos que virariam a identidade da igreja: o púlpito que é uma prancha de longboard e a tradicional bíblia.
Resumindo: é uma igreja voltada aos jovens, principalmente os mais abastados, da classe A, a chamada geração X, cuja missão é proporcionar resgate, libertação e restauração.

2    Sara Nossa Terra – Seus fundadores, Robson e Maria Lúcia Rodovalho, acreditam que a Terra está ferida pelas desigualdades sociais, pela miséria, fome, corrupção, bruxaria e todas as formas de exploração ao mal, por isso buscam através do seu ministério sarar a nossa Terra.


3             Renascer em Cristo -  Essa igreja foi fundada por Estevan e Sonia Hernandes. Enfatizam a alegria de viver e o consumo sem culpa. Em seus sermões a bispa Sônia pregava: “Jesus era um cara muito pirado. Ele não morreu, só deu um ‘time’”. Seus fundadores foram afastados acusados de lavagem de dinheiro oriundo das doações dos fiéis.


4             Igreja Internacional da Graça de Deus – Em 1980 Romildo Ribeiro Soares, mais conhecido como RR Soares fundou a Igreja Internacional da Graça de Deus. Atualmente a igreja da graça tem mais de 1000 templos, espalhados por quase todos o país e também  no Uruguai, Japão, Estados Unidos e Portugal. RR Soares passou por maus bocados financeiros e conta que disse: “Se Deus me curou quando determinei que o diabo tirasse a mão de minha saúde, Ele também restaurará a ‘saúde’ da igreja. Na mesma hora exigi que o diabo soltasse a fonte de renda da igreja, os dizimistas, os ofertantes e desde aquele dia nunca mais pagamos uma conta atrasada.”

5             Igreja Universal do Reino de Deus -  Fundada no Rio de Janeiro em 1977, por Edir Macedo de Bezerra, ex-católico e ex-umbandista, a IURD como também é chamada foi durante muito tempo símbolo das igrejas neopentecostais. A identidade da IURD é construída tendo como base as concorrentes (católicos, religões afro-brasileiras e espíritas). Ele reúne o que há de melhor e pior dessas religiões em uma só. Essa igreja utiliza até magia para atrair fieis como por exemplo: “areia abençoada”, “mesa branca energizada”, “óleo orado”, “rosa ungida” e até “mel da purificação”.

O USO DA HIPNOSE NOS CULTOS EVANGÉLICOS


(...) o grande êxito de John Wesley como
pregador baseava-se no conhecimento intuitivo do sistema
nervoso central. John Wesley iniciava o seu sermão com uma
descrição longa e minuciosa dos tormentos a que os seus ouvintes
seriam, com certeza, condenados para todo o sempre, a menos
que se convertessem. Depois, quando o medo e um sentimento
de culpabilidade torturante levavam o auditório à beira da
vertigem, ou até, em alguns casos, a uma depressão cerebral
completa, alterava o tom de voz e prometia a salvação àqueles
que cressem e se arrependessem. Com este método de pregação,
Wesley converteu milhares de seres humanos. O pavor intenso e
prolongado levava-os a soçobrar e gerava um estado de sugestibili
dade extremamente intensificada. Nesta situação, as pessoas eram
capazes de aceitar, sem discussão, as afirmações teológicas do
pregador. Depois disso, eram restabelecidos na sua integridade
com palavras de consolação, e saíam da provação com sistemas
de comportamento novos, e geralmente melhores, implantados
de modo indestrutível nos seus espíritos e no seu sistema
nervoso.

Regresso ao admirável mundo novo - Aldous L. Huxley, página 62



Sei que é uma acusação grave, mas eu tenho como provar. Tenho em mãos um livro que relata com uma riqueza de detalhes espantosa a prática de técnicas de hipnose nos cultos evangélicos e até mesmo lavagem cerebral. Mas como dizia Santo Agostinho: “Creio para entender e entendo para crer”.
Então com base em todos os pressupostos que apresentei até agora, apresento as técnicas de hipnose usada pelos pastores protestantes.

Vamos fazer a comparação da lavagem cerebral com uma lata cheia de água.
Nossa consciência em seus três níveis (consciente, subconsciente e inconsciente) se parece com uma lata cheia de água. Mais à superfície está o consciente, no fundo o inconsciente e no meio o subconsciente. O que cai dentro da lata, frequentemente, vai para o fundo. O que está mais ao fundo da lata é o que tem maior influência sobre nossas decisões.

Normalmente há estabilidade e cada nível se mantém no seu lugar. O clima religioso e emocional, o barulho, que ocorre nos cultos protestantes, a música e seu ritmo provocam algo como se desse um chute na lata e, então, os três níveis se misturam. Sobe o que está no fundo da lata e, daí, as diferentes reações, porque cada um tem um fundo de lata diferente. O momento de águas revoltas é o mais oportuno para se incutirem ideias e pensamentos, que depois descerão para o fundo da lata. O que, nesse momento, foi incutido na mente das pessoas vai para os níveis mais profundos da consciência e, por isso, fica extremamente difícil de se modificar, pois se torna verdade irrefutável, só pode mudar mesmo após muito tempo ou outra hipnose.

Daí o fanatismo irracional, as idéias arraigadas que resistem a qualquer raciocínio e também a limitação que não admite outra hipótese nem é capaz de conviver com outro tipo de atividade ou preocupação pastoral.
Não foi pela razão e sim por este hipnotismo, ou emoção, que lhe incutiram aquelas idéias que nada têm de racionais e, portanto, não se ligam com outras. Além do mais, é “extremamente agradável” passar por momentos de vôo espiritual ou de “viagem” para fora do nível normal da consciência, para fora dessa realidade tão “perversa e violenta”. Na verdade, estas pessoas gostam mesmo é de “flutuar”! Isso também torna difícil afastar as pessoas daquilo que provoca esses momentos de euforia tão bem justificados pela fé religiosa.

Depois deste “chute na lata” o estado mental é alterado e a faculdade crítica de pensar é suspensa. Nesse estado, a pessoa perde a noção de tempo, de dores, de problemas, e até de si próprio. Frequentemente sente êxtase, intenso prazer, paz, alegria e poder. Esta condição é atingida por métodos que entorpecem o processo mental normal. O bom juízo, a análise crítica e as desconfianças são trocados pelo relaxe mental e a suspensão do raciocínio.

Este relaxe só acontece quando a pessoa sai do estado BETA e passa para o estado ALFA BETA e ALFA são fenômenos conhecidos em Psicologia, Parapsicologia, e usados em todas as culturas de todas as épocas. É parte importante de muitas religiões orientais, como o budismo.

É comum ouvir a gritaria dos fiéis que participam destas celebrações contagiando quem está lá carregando conflitos psicológicos.
As pessoas procuram esses cultos para aplacar seu drama interior. Pastores e seus auxiliares aprendem a induzir o transe. Quando a pessoa está tonta, fica mais aberta para manifestar as supostas visões de Anjos, demônios etc. Os pastores ou os auxiliares costumam pôr a mão na cabeça dos fiéis e fazê-lo rodar. Outro recurso que funciona muito bem é tocar músicas altas no teclado, com acordes bem tenebrosos, porque o “demônio” não gosta de silêncio, segundo as explicações dos pastores e obreiros.

Quem está no meio de um agrupamento tomado pela euforia tende a se deixar contaminar pela emoção. Há um mecanismo do sistema límbico do cérebro, o mais básico da área nervosa, que induz a pessoa a se comportar segundo as atitudes da multidão que a cerca.

A maioria dos pastores usa voz “Cadenciada”, que é um padrão, um estilo de fala ritmada usada por hipnotizadores, para induzir transe.
Na prática um pastorfalando em voz “Cadenciada” parece estar seguindo o ritmo de um metrônomo, como se enfatizasse cada palavra num estilo monótono e padronizado. Conforme o estilo do culto, as pessoas são sugestionadas pela voz autoritária do pastor que consegue atingir uma espécie de estado hipnótico.
A repetição das orações em voz alta, de olhos fechados, conhecida pela medicina como respiração holotrópica, produz um fenômeno de super oxigenação no cérebro. O resultado é um rebaixamento
dos níveis de consciência.

Existem vários métodos para uma pessoa entrar num estado mental alterado (EMA). As consequências dessa prática ao longo do tempo não são positivas.
Às vezes a pessoa passa de êxtase para terror sem motivo real. A pessoa pode sentir calor ou frio ou ter convulsões ou sentir correntes de eletricidade passar por seu corpo. Freqüentemente sente depressão quando está num estado mental normal, pois sente a ausência do efeito.

A prática dessas coisas pode conduzir a uma paranóia com ansiedade, raiva, confusão ou desorientação. Eu conheço pessoas, que hoje são desequilibradas e desestruturadas emocionalmente.

Analisando também vídeos e programas de TV, foi fácil notar que há fraudes nestes cultos. Os pastores exibem o diabo subjugado como se fosse um animal na jaula.

Primeiro: Os pastores entrevistam o demônio para identificar seu "nome", invariavelmente uma entidade dos cultos afro-brasileiros.

Segundo: Pergunta como ele se apossou daquela pessoa.

Terceiro: Procura descobrir os males e sofrimentos que ele está provocando na vida (familiar, financeira...) da vítima. No quarto e derradeiro passo, o ritual perde o caráter de talk show com o demônio. Depois de humilhá-lo, o pastor ou o manipulador expulsa-o em nome e para a glória de Cristo. O que acontece na verdade, é que estes manipuladores fazem que as “pessoas em transe andem de joelhos ao redor da igreja, ou batem a cabeça nos nossos pés, ou ainda que imitem cachorros, galinhas, porcos e outros animais”.
Quando o suposto demônio reluta em sair, o pastor pede a ajuda da platéia, que bate firme os pés no chão, ergue as mãos em direção ao possesso e brada: "sai, sai, queima, queima".

Qualquer pessoa de bom senso notará que, se a intenção fosse curar a pessoa, não precisaria mantê-la tanto tempo diante da platéia, sendo ridicularizada. Esta cura poderia acontecer entre o pastor e a pessoa, ou seja, entre os dois, mas parece que isto não interessa.
É necessário haver um show, um espetáculo para impressionar.
Curiosamente, é que muitas igrejas protestantes buscam inspiração nas religiões afro-brasileiras para apimentar seus cultos.

Ora, jogar a culpa por tudo que há de errado no demônio é uma solução confortável para quem busca alívio nos cultos. As conseqüências podem ser perigosas.
A pessoa sai da igreja acreditando que não tem responsabilidade moral pelos erros que comete. Por isso, é comum ouvir de pessoas, que foi sempre o demônio que “causou isso ou aquilo”, e nunca tem consciência de que são os responsáveis por tais acontecimentos.

Durante pouco tempo, o crente também fica convencido de que possui uma personalidade frágil e influenciável. Então é fácil de concluir que ele está pronto para ser manipulado por qualquer pastor, doutrinador ou um líder que se apresente como solução.
Ao frequentar estas igrejas, o indivíduo escapa dos vícios e dos problemas para virar escravo desses pregadores.
Eric Hoffer, um grande estudioso nesta área, diz que estas pessoas que se deixam ser levadas facilmente por um manipulador são literalmente seguidores cegos, pessoas que querem livrar-se de suas capacidades, de seus potenciais. Elas procuram por respostas, significados e iluminação em coisas externas a si
mesmas. Hoffer diz em seu livro: "Essas pessoas não pretendem conseguir fortalecimento ou auto-afirmação, mas apenas fugir de si mesmas dando o controle de suas vidas a outros.

São seguidoras não porque procuram auto-superação, mas, na verdade, porque anseiam a auto-renúncia!". Hoffer também diz que os Crentes Cegos "são eternamente, incompletos e inseguros".
Nunca subestime o perigo que essas pessoas representam. Elas podem ser facilmente transformadas em fanáticas que defenderão a ferro e fogo suas "causas sagradas ou seus mestres". Isso se dá porque essas "supostas causas sagradas" na verdade substituem a fé que perderam em si mesmas.

A grande maioria dos "crentes cegos" aqueles que se tornam fanáticos e fundamentalistas podem ser divididos em três classes: 

Primeira: as pessoas inseguras;

Segunda: as mentalmente desequilibradas;

Terceira: as "solitárias", sem esperanças e amigos.

Continua Hoffer: “Aprendi tudo isso por experiência própria. Ao longo dos anos em que passei ensinando técnicas e conduzindo treinamentos, defrontei-me com essas pessoas constantemente. Tudo que podia fazer era tentar mostrar que a única coisa a ser procurada é o autoconhecimento. Devem encontrar suas respostas apenas em si mesmas através do Criador e não através de criaturas como os manipuladores”.

Outros itens observados nestes cultos.

1) Sobre a possessão – A maioria dos pastores
empregam técnicas e truques para induzir o fiel a entrar
em transe nas sessões de exorcismo.

2) Sobre a Trilha sonora - O tecladista executa
melodias leves nos momentos de alusão a bênçãos
divinas. Mas, quando o pastor menciona as ações do
demônio e de espíritos malignos, ouve-se uma sucessão
de acordes pesados, que lembram filmes de terror.

3) Sobre a Iluminação - Em muitos cultos realizados à
noite, quase todos os pastores, que vi pregar, apagam as
luzes principais da igreja. Envoltos na penumbra, os fiéis
ficam mais sugestionáveis. Os pastores também pedem
às pessoas que fechem os olhos

4) Sobre o Roteiro - Para evocar os demônios, os
pastores fazem orações repetitivas. A mente humana
tende a aceitar como verdadeiras as frases proferidas
sucessivamente, em tom de autoridade e num ambiente
emocional.

5) Sobre a Coreografia - Os obreiros apertam e
balançam a cabeça ou o corpo do fiel em movimentos
circulares. A tontura e a falta de apoio no chão são
fatores que induzem o transe

6) Sobre a Figuração - O burburinho das pessoas
orando e gritando rebaixa os níveis de consciência de
fiéis suscetíveis. Quem está no meio de uma multidão é
influenciado pelas emoções dos indivíduos ao redor

7) Sobre a Sonoplastia - Em algumas igrejas, junto com
a música, são reproduzidas gravações de gritos e sons de
assombração. Esses ruídos estimulam o inconsciente das
pessoas em transe a considerar real aquela manifestação,
objetos mágicos que embalam as sessões de descarrego.
Contudo, há maneiras mais sutis de manipular as
pessoas.

As atitudes podem ser formadas e mantidas através de vários processos:
Estes líderes e pregadores alienam as pessoas por pressão moral e condicionamento psicológico que não respeita a liberdade de decisão, uma pressão particularmente nociva quando se trata de jovens durante o frágil período de estruturação.

Suas pregações se baseiam muito no medo do futuro, envolvimento afetivo, proposta de sessões isoladas, o mundo vai "acabar" em breve, e outros.
A pessoa não tem sequer tempo para pensar, e é isto que se
pretende.

8) Peer Pressure. (a pressão dos colegas para fazer uma pessoa conformar-se a eles) Imagine cinquenta pessoas colocadas dentro de uma sala escura, todos olhando para a mesma parede. Dois projetores mandam, cada um, um raio de luz contra a parede. Quarenta pessoas (que estão dentro do jogo) começam a dizer que vêem os dois raios se afastando um do outro, apesar de não estar acontecendo nada disso. Com grande frequência os outros dez também verão os raios afastando-se um do outro. Este é um efeito bem conhecido dentro da psicologia.

O ser humano é influenciado fortemente pelos outros a seu redor. Somos crédulos demais quando nos encontramos em circunstâncias favoráveis a nos convencer.
Esta técnica é usada em muitos cultos. As euniões começam com testemunhos de pessoas que, ao princípio não aceitavam de jeito nenhum esses ensinamentos. Eles contam logo como foram

convencidas por acontecimentos inegáveis e maravilhosos. Contam histórias tão exageradas e com tanta convicção que começam a amolecer a resistência dos ouvintes desconfiados. O movimento está tão saturado com pensamentos sobre os milagres, as revelações e os sonhos que se torna fácil acreditar e até começar a ver e fazer aquelas mesmas coisas.

Logo vêm os ensinamentos "doutrinários". O pregador usa passagens da Bíblia, fora de contexto e com uma interpretação peculiar para "mostrar" a verdade de seus erros. É comum citar a conversão de Saulo no caminho a Damasco como exemplo dos desmaios produzidos (e até fingidos) dentro do avivamento falsificado.
Outro é a queda dos soldados romanos quando prenderam Jesus no Monte das Oliveiras. Devemos notar que os desmaios hoje em dia quase acontecem dentro de um ambiente cuidadosamente preparado com o uso de estados mentais alterados e com o "peer pressure" de dezenas ou centenas de pessoas participando.

Outros fenômenos psicológicos usados nestes cultos são as expectativas elevadas. Geralmente antes de uma "cruzada" ou um acontecimento maravilhoso, as pessoas estão condicionadas a esperar "coisas novas e estranhas". O campo é cuidadosamente cultivado para logo semear e colher experiências extraordinárias.
É comum ver muita propaganda escrita ou feita com altofalantes ou transmitida pela rádio e até pela televisão.

As pessoas que convidam a tais reuniões já são convencidas e vão preparando o convidado para ver e sentir coisas místicas e diferentes. De qualquer forma, a expectativa é elevada a altos níveis.
Uma predisposição ao miraculoso é criada psicologicamente.
Geralmente os manipuladores fazem a multidão esperar longo tempo antes de fazer a sua entrada. Isso dá tempo para o ambiente saturar-se de expectativas. Quando o manipulador começa, ele avisa que coisas estranhas acontecerão e que não devem se assustar.

O manipulador é experiente na manipulação psicológica e quando chega a hora de produzir os efeitos, dezenas e até centenas de pessoas estão preparadas a ver e ouvir e até fazer o que foram ditos de antemão que veriam e ouviriam e fariam.

9) O Poder Sutil da Sugestão. O poder da sugestão é muito forte, especialmente quando combinado com estados mentais alterados ou "peer pressures". Nesse caso a pessoa entra no que se chama a hipersugestão.

Primeiramente devemos mencionar que algumas pessoas são mais dadas a este fenômeno do que outras. Estima-se que, nos Estados Unidos, uma em cada doze pessoas tem a capacidade de criar mentalmente uma experiência fictícia e depois crer firmemente que foi realidade. Em localidades mais propensas á superstição e ao misticismo, essa proporção aumenta. Pessoas propensas á hipersugestão frequentemente adoecem da "síndrome de cinco graus".

São pessoas inteligentes, intuitivas, orientadas ao visual e com imaginações bem ativas. Primeiro são pessoas confiantes em outras. Segundo, eles têm um notável desejo de ser agradável aos outros.
Terceiro, eles tem desenvolvido a capacidade de aceitar experiências contraditórias. Quarto gostam de experimentar coisas novas e esquisitas.

Muito bem, tudo que relatei irei citar nas referências bibliográficas como de costume, agora vamos ao último tópico deste artigo. Antes que eu me esqueça, quem utiliza bastante essas técnicas de hipnose são as Testemunhas de Jeová, usam e abusam dessas técnicas que é justamente o próximo assunto.

TESTEMUNHAS DE JEOVÁ – UM CASO À PARTE

Charles T. Russel

Deixei para falar sobre Testemunhas de Jeová por último, pois considero que merece um destaque especial devido a alguns questionamentos a respeito de sua conduta.
Cheguei a conclusão que Testemunhas de Jeová, Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (SUD) e Adventistas são um caso à parte. São como folhas soltas, pois além de adotar as Sagradas Escrituras como verve religiosa adotam também materiais extras como apoio de leitura, como é o caso dos mórmons, eles adotam o Livro dos Mórmons como base de leitura.
Mas para o artigo não se estender ainda mais, resolvi escolher um: as Testemunhas de Jeová.

A escolha não foi aleatória pode ter certeza.
O fundador foi Charles T. Russel, de família rica, prespiteriana, nascido nos Estados Unidos (1852-1917).
Esteve durante vinte anos com os adventistas e aprendeu neste espaço que o inferno não existia e ficou encantado.
Negava a divindade de Cristo e claro a Santíssima Trindade.
Casou e se separou da mulher e negou-lhe a pensão estabelecida no processo.
Arriscou a primeira profecia: o mundo terminaria em outubro de 1884!
Como isso não aconteceu saiu dos adventistas desmoralizado e deu início às Testemunhas de Jeová.

Escreveu sete volumes com comentários bíblicos, numa visão meramente pessoal, sem nenhum fundamento teológico convincente.
Seu quinto volume é “sensacional” no qual, com seus cálculos imaginários e extravagantes conseguiu explicar o número da besta (666) aplicando-o ao papa.
Foi a partir daí que o papa virou alvo de chacota e referência para os mais desavisados e sem nenhum conhecimento não digo nem bíblico mas histórico, pois o número 666 biblicamente (Ap 13,18) refere-se ao homem. E que homem? Ao imperador Nero.

E o homem nas escrituras é representado geralmente pelo número seis.
Vou dar alguns exemplos: Em seis dias foi criado o mundo do homem (Gn 1,31).
O homem foi feito no sexto dia (Gn 1,24-31).
Seis dias ele deveria trabalhar (Ex 31,15).

O número três aponta para Deus: três vezes Santo (Is 6,3), ...três vezes orei ao Senhor... (2Cor 12,8).

Assim o sentido simbólico do número 666 é: a pessoa humana (besta) querendo se tornar Deus. Ou o número seis (homem) julgando-se ser o número três (Deus).
Desta forma o indivíduo adora-se a si mesmo. E na época que foi escrito o Apocalipse, o homem que se fazia passar por Deus era o imperador romano Nero.
Por isso seu número é 666, ou seja, o imperador é a besta.
César Nero, inclusive já foi tema neste blog bem no início do Pistas, em hebraico K S R N R V N era na realidade grande perseguidor da Igreja pelo ano 64 depois de Cristo e de fato a soma das letras do nome dele em hebraico é o número da besta: 666.

Na história encontramos nomes reais que, usando do mesmo truque maldoso de Russel e outros hereges, trocando “u” por “v” dão em algarismo romanos certinho o número da besta fêmea, 666, como é o caso da fundadora dos adventistas nos Estados Unidos, Ellen Gould White, que inclusive ia utilizar um de seus livros como referência bibliográfica mas desisti, um livro sem nexo e extremamente enfadonho chamado O conflito dos Séculos.
Pois muito bem, continuando com as profecias de Russel...

Russel sempre pretendendo basear-se na Bíblia, anunciou a segunda profecia: em 1914 começariam mil anos de felicidade, o novo reino. Muitos venderam seus bens. Como nada do que anunciara aconteceu, foi processado.
No julgamento, disse que falou do fim do mundo, mas que não mandara ninguém vender seus bens, espertinho ele hein...

Depois de toda essa humilhação, Russel não desistiu, fez uma terceira profecia: o fim do mundo em 1918!
A sorte dele foi ter morrido em 1917, pois obviamente essa profecia não se realizou.
E os sucessores inspirados por ele continuaram com profecias, todas um verdadeiro fiasco claro.

John Rutherford foi sucessor de Russel. Profetizou que em 1925, voltariam Abraão, Isaac e Jacó para governar mil anos, apesar que ele pregava que os mortos dormem no pó da terra o sono mais longo da história. Foi novo engano.
Concluo que Charles realmente foi o fundador das Testemunhas de Jeová e que saíra de outras religiões para fundar mais uma, usando erradamente uma frase bíblica para semear dúvida e confusão na fé verdadeira.

A referida religião se diz Testemunhas de Jeová; ora Jeová é uma forma equivocada, resultado da falsa leitura das vogais da palavra hebraica Adonai (e-o-a), colocadas sob as quatro consoantes do nome divino.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Ufa! Esse foi um dos artigos mais longos que já escrevi. Espero que você tenha gostado do que leu, sei que foram muitas informações mas você caro leitor já me conhece, vou fundo na pesquisa e faço de tudo para levar a melhor informação a você da melhor maneira possível.
O resultado agradeço a você pelo prestígio e a grande colaboração através dos comentários e dicas de leitura.
Mais uma vez obrigado e até a próxima, abraço fraterno.



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Evangélicos e Mídia no Brasil (dissertação de mestrado)
Alexandre Brasil Fonseca, Edusf/Ifan
Faculdade São Boaventura, 2003

Os evangélicos
Clara Mafra, Jorge Zahar, 2001



Neopentecostais - Sociologia do novo pentecostalismo no Brasil
Ricardo Mariano, Loyola, 1999



A ética protestante e o espírito do capitalismo
Max Weber, Pioneira, 1999



Regresso ao admirável mundo novo
Aldous L. Huxley, 2004



Lavagem cerebral e hipnose nos cultos protestantes
Jaime Francisco de Moura, Brasília - Gráfica Opção, 2010



Bíblia Sagrada


________________________________________________________________________

Caso queira adquirir os livros sugiro a Livraria Cultura, basta clicar no banner que se encontra no topo à esquerda do blog. 
________________________________________________________________________

Tenha uma ótima leitura.

<<< Indicação de filme >>>

Lutero

Diretor: Eric Till
Elenco: Joseph Fiennes, Alfred Molina, Bruno Ganz, Jonathan Firth, Peter Ustinov, Claire Cox, Uwe Ochsenknecht.
Produção: Dennis A. Clauss, Brigitte Rochow, Christian P. Stehr, Alexander Thies
Roteiro: Camille Thomasson, Bart Gavigan
Fotografia: Robert Fraisse
Trilha Sonora: Richard Harvey
Duração: 121 min.
Ano: 2003
País: Alemanha
Gênero: Drama
Cor: Colorido

Assista ao filme completo 


6 comentários:

  1. Parabéns pelo post, explicativo, alusivo, não tendencioso e sem enrolações.

    ResponderExcluir
  2. Obrigado pelo comentário e sempre que possível comente, pois sua presença é importante. Próxima postagem será sobre Winston Churchill. Abraço.

    ResponderExcluir
  3. muito bom, ja esta nos meus favoritos para ler mais vezes, parabens. Pena que muitas pessoas não percebem que estão sendo manipuladas por seres humanos tão faliveis ou mais que elas, pessoas que não seriam acapazes de gerir a propria vida e no entanto se acham capazes de conduzir um rebanho.

    ResponderExcluir
  4. Muito obrigado pelo comentário. Realmente você falou uma grande verdade, temos que ficar de olho nessas pessoas.

    ResponderExcluir
  5. Estou fazendo um trabalho sobre a Reforma e a Contra-reforma Protestante, encontrei aqui excelentes informações que dão apoio ao meu trabalho. Parabéns, ótimo texto!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá Joh! Seja bem-vinda(o) ao site Pistas da História. Agradeço a sua colaboração como leitora atuante e também como cidadã participativa.

      Muito obrigado mais uma vez por visitar o site e saiba que sua participação é de fundamental importância para o crescimento do meu trabalho.

      Não deixe de visitar o Pistas da História.

      Fique na paz.

      Excluir

Os comentários passam por um sistema de moderação, ou seja, eles são lidos por mim (Randerson Figueiredo) antes de serem publicados. Não serão aprovados os comentários:
- não relacionados ao tema do post;
- com pedidos de parceria;
- com propagandas (spam);
- com link para divulgar seu blog;
- com palavrões ou ofensas a pessoas e situações;

OBS: Se você caro leitor quiser material deste blog para pesquisa ou outra finalidade basta entrar em contato comigo preenchendo o formulário que fica na parte superior no canto direito desta página com o nome FORMULÁRIO DE CONTATO, que o mais rápido possível entrarei em contato com você.